França toma cidade histórica do Mali

Timbuctu, reduto de grupos jihadistas, foi ocupada sem que Exército desse um único tiro

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2013 | 02h11

Soldados franceses foram recebidos ontem com festa pela população de Timbuctu, após a ofensiva que libertou a maior cidade do norte do Mali, reduto de grupos jihadistas. O sucesso dos franceses, que também libertaram o município de Gao no fim de semana, causou euforia em Paris, onde o presidente François Hollande afirmou que a França, o Mali e as forças africanas "estão vencendo a batalha".

A onda de otimismo foi causada pelas notícias sobre a tomada pacífica de Timbuctu, a 900 quilômetros da capital, Bamako. A cidade histórica, de 54 mil habitantes, é uma das mais importantes do país e estava nas mãos dos extremistas havia dez meses.

Hollande elogiou o trabalho dos 3 mil soldados franceses nos 18 dias de conflito, com número reduzido de mortes. "Fomos levados a assumir um lugar importante nesse dispositivo (militar), porque havia urgência, perigo e ameaça. Agora, cabe aos africanos assumir a continuidade", disse.

Nessa etapa, as tropas francesas manterão os bombardeios contra os comboios extremistas, além do apoio às tropas africanas. Para Roland Marshal, especialista em conflitos no Norte da África do Conselho Nacional de Pesquisa Científica, o avanço é decisivo, mas não encerra o conflito com os jihadistas.

"A tomada é importante, mas o que vem daqui para a frente é um problema maior. Será mais difícil retomar o controle da região de montanhas. Depois, virá a repressão a grupos terroristas. Será necessário estabelecer uma autoridade que seja legítima aos olhos da população e estimule a reconciliação do país."

Especialistas da Unesco irão a Timbuctu nos próximos dias para averiguar os danos causados pela ocupação jihadista ao patrimônio da humanidade. Nos últimos dez meses, 7 dos 16 mausoléus históricos da cidade, considerados profanos, foram destruídos. Antes de fugirem, os extremistas teriam queimado parte do acervo de 60 mil a 100 mil manuscritos armazenados na cidade, a maior parte da época pré-islâmica. "Os manuscritos, provavelmente, serão um patrimônio perdido para sempre", disse Marshal. "Mas há formas de reabilitar os monumentos destruídos."

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