Reuters
Reuters

França usará porta-aviões contra Estado Islâmico

Presidente do país atacado, François Hollande anuncia envio de navios com poder nuclear para enfrentar grupo radical islâmico 

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

15 de janeiro de 2015 | 02h05

A disposição, revelada ontem pelo presidente François Hollande, de enviar o Grupo Aeronaval da Marinha para atacar o Estado Islâmico - no Iraque e talvez na Síria, a partir do Golfo Pérsico - eleva a escalada militar para o penúltimo patamar.

O jogo da guerra ao terror ficou pesado na França. Depois disso, só resta o recurso da intervenção por meio da ação direta, com o emprego de tropas terrestres. A flotilha liderada pelo porta-aviões R-91 Charles de Gaulle, de propulsão nuclear, pode muito. O enorme navio lançador de até 40 aviões e helicópteros de vários tipos é acompanhado por uma fragata de defesa aérea equipada com mísseis e canhões, por um destróier antissubmarino, mais um navio de apoio, misto de tanque e de suprimentos.

O time se completa com um submarino atômico de ataque da classe Triomphant, eventualmente armado com 16 ogivas nucleares.

Primeiro, exercícios. A primeira parte da missão é uma série de exercícios no Oceano Índico. Depois, a embarcação se dirigirá ao Oriente Médio.

O De Gaulle mede 261 metros, é tripulado por cerca de 1.900 militares, desloca 42 mil toneladas e leva dois esquadrões da versão para aviação naval do caça supersônico Rafale. Claro, a frota aérea embarcada é complementada por aeronaves especializadas na coleta de dados de inteligência, observação, alerta avançado, de combate a submarinos e de transporte.

Um ex-oficial do Exército francês ouvido ontem pelo Estado disse que o anunciado plano do governo, de listar os nomes e controlar os movimentos de jihadistas, deve ser visto como "um desconforto em benefício das garantias". Ele prevê que haja "transformações radicais durante um ciclo de 10 a 15 anos" na estrutura da Defesa da França "para reagir depressa e com eficiência".

O pronunciamento do presidente Hollande às Forças Armadas e às agências policiais envolvidas semana passada na caça aos terroristas do atentado ao jornal Charlie Hebdo antecipou uma mudança conceitual na repressão aos movimentos radicais.

O líder francês deu destaque ao bem-sucedido trabalho conjunto dos quase 100 mil homens e mulheres mobilizados - em um dado momento, há uma semana, havia 88 mil deles atuando em todo o país.

A integração "significa força e será preservada", frisou Hollande. A primeira fila dos participantes da cerimônia foi reservada para os representantes das organizações de segurança. Por escolha própria, divulgou o Ministério do Interior, eles estavam lá sem máscaras, gorros ou óculos escuros que protegessem suas identidades.

Tudo o que sabemos sobre:
O Estado de S. Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.