França vai às urnas e bate recorde de participação eleitoral

Os franceses vão às urnas neste domingo, 22, a eleger o novo presidente do país em uma das eleições mais imprevisíveis dos últimos tempos, depois de uma frentética campanha que teve dezenas de candidatos e que deixou muitos eleitores indecisos e ansiosos para votar: em quatro horas de votação, 31,2% dos eleitores já haviam participado do pleito, a maior participação desde as eleições de 1981, segundo informações do Ministério do Interior francês.Apenas quatro candidatos, incluindo o conservador Nicolas Sarkozy e a socialista Ségolène Royal, primeiro e segunda colocada, respectivamente, nas pesquisas eleitorais, tinham chances reais de estar entre os mais votados e seguir ao segundo turno, marcado para o dia 6 de maio.Entre os principais candidatos, o primeiro a votar foi Sarkozy, que compareceu em um colégio eleitoral de Neuilly-sul-Seine, nos arredores de Paris, acompanhado de sua mulher, Cécilia, e das duas filhas desta. "O importante é que muitos franceses votem e que seja um grande momento para a democracia francesa", disse o candidato do partido do Governo, a União por um Movimento Popular (UMP), que demonstrou confiança para passar ao segundo turno.A socialista Ségolène Royal votou em um colégio de Melle, no centro da França, na região de Poitou-Cherentes, da qual é presidente e onde compareceu sem seu marido, o primeiro-secretário do Partido Socialista, François Hollande, quevotou em Tulle, localidade onde é prefeito. "Agora vou preparar meu discurso para esta noite", disse a candidata socialista, que viajou esta manhã de trem de Paris atéMelle.O centrista François Bayrou, terceiro nas pesquisas, emitiu seu voto em Pau, no sudoeste do país, acompanhado da esposa e após ter assistido a uma missa. "Os franceses estão muito interessados no que está acontecendo, é uma escolha muito profunda", disse Bayrou, que teve que buscar seu título de eleitor, que tinha esquecido no carro.Jean-Marie Le Pen, candidato de extrema-direita, compareceu sozinho ao colégio de Saint-Cloud, nos arredores de Paris, e afirmou que enfrenta a jornada eleitoral, a quinta que vive como candidato, com a "calma" que a experiência lhe confere.SucessãoO eleito nas eleições presidenciais francesas vai suceder o atual presidente, há 12 anos no poder, Jacques Chirac, que votou acompanhado de sua mulher em Serran, no centro do país, enquanto o primeiro-ministro, Dominique de Villepin, compareceu em um colégio do 17º distrito de Paris acompanhado da esposa e de dois de seus três filhos.O sucessor de Chirac terá de comandar o país líder da União Européia, ao lado da Alemanha. A França terá em 2007 uma opção a mais, o centro, para buscar a saída da estagnação econômica e social na qual seus 64,1 milhões de habitantes estão mergulhados. Os desafios são consideráveis: superar as divergências partidárias, conter o déficit público, reduzir o desemprego (hoje em 9%) e crescer na média européia para apaziguar uma nação onde os conflitos sociais eclodem com freqüência e violência cada vez mais preocupantes.Cientistas políticos vêem os distúrbios que ocorreram nas periferias em outubro e novembro de 2005 como o marco da campanha eleitoral à presidência da França. Na época, jovens inconformados com as mortes de dois adolescentes de origem árabe numa perseguição policial em Clichy-sous-Bois (arredores de Paris) se revoltaram contra o responsável pelo aparato policial, o então ministro do Interior Nicolas Sarkozy e atual primeiro colocado nas pesquisas.

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