França vai atacar recursos financeiros de terroristas

O presidente do Banco da França, Jean-Claude Trichet, garantiu hoje que o segredo bancário e os paraísos fiscais irão perder a inviolabilidade no esforço dos países ocidentais para desbaratar as fontes de financiamento do terrorismo islâmico. "Um dispositivo legal de âmbito mundial está sendo rapidamente articulado para permitir a detecção e o congelamento dos capitais pertencentes ao grupo do Taleban e da rede terrorista de Bin Laden. Desse dispositivo não serão excluídos nem os centros off-shore nem o segredo bancário", esclareceu.Pelo que adiantou Trichet, tais medidas decorrem da decisão tomada pelo Conselho de Segurança da ONU, antes dos atentados em Nova York e Washington, a fim de estender pelos cinco continentes o combate às fontes de custeio do terrorismo. Tais fontes são alimentadas pela lavagem do dinheiro do narcotráfico afegão, pelos investimentos de Bin Laden em dezenas de empresas e bancos sediados nos países membros das Otan, no Oriente Médio, na Ásia e mesmo nos Estados Unidos.Há também o montante destinado pelos países do Golfo a obras de caráter filantrópico, educacional e religioso, desviado para os cofres do terrorismo, além das contribuições de ricas famílias árabes que financiam o chefe terrorista direta ou indiretamente para, segundo a explicação corrente, "se penitenciarem do apoio público oferecido aos americanos".Sem citar nomes, o presidente do Banco da França, revelou que o Ministério da Economia francês já estabeleceu a lista de personalidades e instituições que possuem, no país, relações de negócio com o esquema Bin Laden. "A lista não será divulgada porque isso pode ser contraproducente para o andamento das investigações", acentuou.Grupo de Ação FinanceiraNa blitz às arcas do terrorismo e aos mecanismos de seu contínuo reabastecimento, conforme Trichet, o Grupo de Ação Financeira (Gafi) será um dos suportes-chave. Reunindo mais de 50 países, o órgão, sediado em Paris, foi criado pelo G-7 em 1989 para lutar contra a lavagem do dinheiro do crime organizado. "Suas iniciativas, combinadas com as de outras instituições, ficarão agora facilitadas pelas disposições a serem adotadas em relação ao segredo bancário e aos centros off-shore", assinalou Trichet.O Brasil passou a integrar o Gafi como membro efetivo a partir de junho do ano passado, depois de nele ingressar em setembro de 1999 como simples país-observador. Segundo ex-dirigentes do organismo, que não quiseram se identificar, o Brasil protelou sua adesão por causa de detalhes ligados à exigência de suspensão do segredo bancário nos casos de inquérito. "Mas as dificuldades foram dirimidas e os brasileiros agora estão entre os que mais cooperam nas investigações sobre denúncias de lavagem", precisaram.

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