França vai manter arsenal nuclear, apesar de discurso de Obama

Governo francês diz que verdadeira ameaça é a proliferação nuclear para países como o Irã

O Estado de S. Paulo,

20 de junho de 2013 | 11h30

A França não está disposta a reduzir seu arsenal nuclear por enquanto, disse nesta quinta-feira, 20, o ministro da Defesa, Jean-Yves Le Drian, um dia após o presidente dos EUA, Barack Obama, ter sugerido um esforço global para reduzir os estoques de armas atômicas.

Falando em Berlim, Obama pediu ajuda da Rússia para avançar a partir do tratado "Novo START", que exige que ambos os países reduzam os estoques de armas nucleares implantadas para 1.550 cada um até 2018.

"Barack Obama está propondo à Rússia que, juntos, eles reduzam. Isso é bom, mas não é assim que vemos as coisas", disse Le Drian à rádio France Info, dizendo que a França já tinha diminuído seu arsenal para pouco menos de 300 ogivas.

"A verdadeira questão é a proliferação nuclear. É o risco futuro de o Irã obter uma arma nuclear", acrescentou.

A Rússia teve uma reação fria ao pedido de Obama por uma redução de um terço nos arsenais implantados, dizendo que não poderia levar tais propostas a sério enquanto Washington estiver reforçando suas próprias defesas antimísseis.

A visão de um "mundo sem armas nucleares" estabelecida por Obama em um discurso em Praga em 2009, apenas três meses após assumir a Presidência, rendeu a ele o Prêmio Nobel da Paz.

Mas a falta de resultados efetivos até agora tem alimentado críticas de que o prêmio pode ter sido prematuro. / REUTERS

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