França vai oferecer treinamento a tropas da Somália

A França oferecerá treinamento a um batalhão de 500 somalis para ajudar as forças de segurança do país africano em sua luta contra militantes islamitas e gangues de piratas, informou hoje um porta-voz do Ministério de Relações Exteriores francês. Segundo o funcionário, a França vai propor, durante uma conferência internacional na semana que vem, que sejam usadas mais tropas francesas que ficam no vizinho Djibuti para treinar as forças de segurança da Somália.

AE-AP, Agencia Estado

17 de abril de 2009 | 15h46

O comunidade internacional espera levantar pelo menos 200 milhões de euros (US$ 262 milhões) no encontro para reforçar as forças de segurança somalis. A conferência, que será realizada na quarta e na quinta-feira, ocorre sob o patrocínio da Organização das Nações Unidas (ONU) e da União Europeia, além dos líderes da Organização da Conferência Islâmica e da Liga Árabe. A Somália não tem um governo que controle de fato o país há quase 20 anos, quando senhores de guerra depuseram o ditador Mohamed Siad Barre, em 1991, e depois passaram a lutar entre si.

O governo somali tenta realizar acordos com alguns grupos para conseguir legitimidade e melhorar as condições de vida no país. O atual presidente, xeque Sharif Sheik Ahmed, eleito em janeiro pelo Parlamento, é um ex-combatente da insurgência islâmica que tentava derrubar o governo, apesar de um acordo de paz, firmado no ano passado. O governo dos Estados Unidos promete enviar para a conferência seu principal diplomata para a África, o secretário-assistente de Estado para Assuntos Africanos, Philip Carter.

Piratas

Um dos temas mais importantes da agenda é o combate à pirataria. Entre as questões em pauta estará a de como julgar os detidos. França e Holanda se preparam para julgá-los em suas cortes, mas discute-se a possibilidade de se estabelecer um tribunal específico no Quênia. EUA, Grã-Bretanha e União Europeia (UE) já firmaram um acordo prevendo que os suspeitos de pirataria sigam para o país africano.

Porém, há dúvidas se o Quênia, ainda se recuperando da turbulência depois das eleições em 2007, que deixou mais de mil mortos, conseguiria lidar com a custosa e complicada tarefa de julgar os acusados. Especialistas apontam que é preciso um apoio firme da comunidade internacional para que a iniciativa tenha sucesso.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.