Charles Platiau/Reuters
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França vai sofrer 'empobrecimento geral' por coronavírus, diz primeiro-ministro

Crise sanitária levou ao desaparecimento de quase meio milhão de empregos e uma contração de dois terços da atividade econômica

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2020 | 17h15

A França vai sofrer um "empobrecimento geral" devido à pandemia do novo coronavírus, declarou o primeiro-ministro francês nesta quinta-feira, 7.

"Quando a crise da saúde acabar...nosso país responderá à crise econômica e ao empobrecimento geral que está por vir", disse Edouard Philippe em entrevista na televisão. 

A crise sanitária levou ao desaparecimento de quase meio milhão de empregos e uma contração de dois terços da atividade econômica.

400 mil empresas abertas 

Quase paralisada por dois meses, a economia será parcialmente reativada na segunda-feira,  18, com a reabertura de 400 mil empresas, incluindo 77 mil salões de beleza, 33 mil lojas de roupas, 15 mil floriculturas e 3.300 livrarias, detalhou o chefe do governo.

Da mesma forma, os franceses poderão voltar às ruas livremente, sem ter que justificar, mas sem afastar-se mais de 100 quilômetros de casa. Além disso, 1 milhão de crianças do jardim de infância e da escola primária poderão retornar às salas de aula. 

Edouard Philippe ressaltou que, na ausência de uma vacina, os franceses terão que aprender a "viver" o vírus e que será preciso encontrar um "equilíbrio indispensável" entre "a reativação econômica e o respeito às precauções".  

A decisão pela nova fase foi tomada após uma redução constante no número diário de óbitos e de pacientes em terapia intensiva.

Maiores restrições em Paris

Quatro regiões, incluindo Paris e arredores, mantêm a classificação vermelha, onde a circulação do vírus ainda é alta e as medidas de desconfinamento mais rigorosas. 

"O país está dividido em dois", dependendo da situação sanitária, explicou Philippe. A situação é muito menos grave no oeste e no sul do país, classificado em verde, do que em Paris, no norte e no leste. 

Nesssas regiões "vermelhas", crianças acima de 11 anos não retornarão à escola na próxima semana, os parques serão fechados e "regras muito estritas" serão impostas ao transporte durante o mês de maio.

O governo descartou obrigar idosos e vulneráveis a ficarem em casa, mesmo nas áreas mais críticas, mas as autoridades recomendam essa medida para sua própria segurança.

Independentemente da área, restaurantes, cafés, bares e cinemas em todo o país ficarão fechados pelo menos até junho. 

"O desconfinamento progressivo não significa que devemos ser menos vigilantes", disse Philippe, que não descarta voltar a confinar os 67 milhões de franceses no caso de novas infecções serem desencadeadas.

A pandemia do novo coronavírus causou 178 mortes nas últimas 24 horas na França, elevando o total para 25.987, segundo dados oficiais. /AFP

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