França vê vitória diplomática em resolução sobre Iraque

A resolução aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU, sobre o Iraque, está sendo considerada pela França como uma vitória diplomática do país. A avaliação é dos próprios representantes do governo francês na ONU. Paris negociou a retirada de um parágrafo proposto pela Casa Branca abrindo a possibilidade de que, se Bagdá não cumprisse com as determinações do Conselho, qualquer um dos membros da ONU, em especial os Estados Unidos, viesse a atacar Saddam Hussein.Com a resolução de hoje, a violação de algum ponto do documento pelo Iraque não levaria a um ataque imediato ao país, mas exigiria a retomada do debate pelos membros do Conselho de Segurança. "Somente então se decidiria se um ataque deveria ser iniciado", explicou um diplomata francês, lembrando que, na quinta-feira, Jacques Chirac, presidente da França, e George W. Bush, presidente norte-americano, teriam chegado a um acordo após um longo debate pelo telefone.Com a retirada da proposta de Washington de um ataque imediato, como constava do primeiro rascunho da resolução, a França abriu caminho para que todos os 15 países do Conselho de Segurança apoiassem o documento.Até a manhã de hoje, os Estados Unidos acreditavam contar com o apoio de apenas 9 dos 15 membros do Conselho. Mas acabaram sendo surpreendidos pelo votos de vários países, inclusive o da Síria, que também concordou com os termos do documento."Essa resolução é exatamente o que a ONU precisava para mostrar que pretende estar presente nos debates sobre as ameaças à paz no mundo", afirmou o diplomata francês. "O documento representa o fortalecimento do Conselho Segurança e a esperança de que a ONU não será ignorada, caso um ataque seja preparado por algum de seus membros", completou outro representante de Paris.Os esforços da França para evitar um conflito não são desinteressados. Paris teme que, em caso de uma guerra no Iraque, os Estados Unidos acabem dominando a região, o que poderia afetar os interesses políticos e comerciais da Europa no Oriente Médio.

Agencia Estado,

08 de novembro de 2002 | 16h53

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