Francês pode deixar prisão sob fiança hoje, diz CNN

PARIS

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2011 | 00h00

O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, pode ser libertado hoje sob fiança. Segundo a rede CNN, a qualquer momento os advogados de defesa do francês fecharão um acordo com a promotoria de Manhattan. Segundo The New York Times, ele teria rejeitado seu direito de extradição para tentar ser beneficiado com a fiança.

Ontem, o jornal britânico The Times publicou que uma jornalista australiana, identificada pelo nome fictício de Martina, que trabalha em um diário europeu, também teria sido vítima de abuso sexual de Strauss-Kahn. Segundo ela, o francês teria se aproximado após uma coletiva e passou a telefonar insistentemente.

"Ele conseguiu meu número por sua embaixada ou pelo Instituto Francês e começou a me telefonar, dizendo: "Se você sair comigo, terá uma entrevista exclusiva"", relatou. "Ele queria vir ao meu trabalho, mas respondi que não. Seus pedidos pareciam mendicância e desliguei o telefone."

As tentativas teriam recomeçado dois anos depois, quando Martina estava grávida. Ele teria voltado a insistir por um encontro em troca da entrevista. "Eu deveria passar o fim de semana com ele em Paris ou em outro lugar", disse a jornalista. "Ele era incrivelmente insistente."

Na segunda-feira, David Koubbi, advogado da também jornalista francesa Tristane Banon, 31 anos, afirmou que sua cliente teria sido alvo de agressão sexual há oito anos. Em 2007, a jovem relatou o caso na TV francesa, mas o nome de Strauss-Kahn foi coberto por um "bip" na edição do programa.

"Ele me propôs o encontro, me deu seu endereço. Ao chegar, ele gentilmente abriu a porta. Eu liguei o gravador. Ele quis pegar minha mão para responder, dizendo: "Não conseguirei se você não segurar minha mão"", contou ela na TV. Em seguida, Strauss-Kahn segurou o braço da jornalista. "Ele tentou ir mais longe, mas o fiz parar. Acabou violentamente. Brigamos no chão. Eu o chutei, ele tentou abrir meu sutiã e minha calça."

Apesar do escândalo, 57% dos franceses creem que Strauss-Kahn é vítima de um complô para afastá-lo da corrida presidencial em 2012. Segundo pesquisa do instituto CSA, 32% não acreditam na hipótese de complô e 11% dizem não ter opinião sobre o caso. Entre os simpatizantes do Partido Socialista, de Strauss-Kahn, a teoria conspiratória tem mais popularidade: 70%.

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