Daniel Janin/AFP-28/9/2004
Daniel Janin/AFP-28/9/2004

Francesa acusa Strauss-Kahn de abuso

Após escândalo nos EUA, jornalista apresenta em Paris queixa contra chefe do FMI por episódio que teria ocorrido há 8 anos

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / PARIS

Além de enfrentar o constrangedor processo judicial nos EUA, o diretor executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, terá de responder à Justiça da França por outro suposto escândalo sexual. Ontem David Koubbi, advogado da jornalista Tristane Banon, de 31 anos, anunciou que prestará queixa contra o político francês por violência sexual.

A acusação diz respeito a um suposto ataque feito durante uma entrevista, há oito anos. "Existe um certo número de elementos, de fatos que comprovam o que ela afirma", garantiu o advogado. Segundo ele, há oito anos a jovem foi dissuadida de prestar queixa pois sua mãe era conselheira do Partido Socialista (PS) da França, do qual Strauss-Kahn é um dos líderes.

Advogados do diretor do FMI não se pronunciaram até ontem à noite sobre o escândalo na França.

As imagens de Strauss-Kahn algemado, cercado de policiais e diante de uma juíza americana causaram alarde ontem na França e, em especial, no PS. Enquanto os adversários políticos seguiram fustigando o pré-candidato - tido até o fim de semana como favorito às eleições de 2012 -, seus partidários tentaram lançar dúvidas sobre as investigações.

Na França são proibidas imagens de pessoas presas e a filmagem de "DSK" (como Strauss-Kahn é conhecido) na corte de Nova York foi considerada uma humilhação. Para aliados do político, ele não fugiu do hotel em que estava, nem de Nova York. Strauss-Kahn tampouco teria "esquecido" o celular em seu quarto.

O chefe do FMI teria almoçado antes de partir para o aeroporto, em um voo marcado antes mesmo de sua chegada aos EUA, e telefonado ao hotel para pedir que localizassem seu telefone.

As dúvidas motivaram membros do PS a denunciar uma suposta armação política para arranhar a imagem do principal opositor do presidente Nicolas Sarkozy. "Há muitas contradições, a começar pela versão da fuga. Está provado que ela não ocorreu", disse o deputado Jean-Christophe Cambadélis.

Os socialistas garantem que não perderam força com o escândalo. Segundo pesquisas, todos os mais importantes nomes do partido, como Martine Aubry, François Hollande e Ségolène Royal, seguem bem posicionados para a eleição de 2012. "O PS não está nem decapitado, nem enfraquecido", disse o número 2 do partido, Harlem Désir.

Mas para o cientista político Pascal Perrineau, do Centro de Pesquisas Políticas (Cevipof), aumentaram as chances de Sarkozy e de Marine Le Pen, do partido de extrema direita Frente Nacional, de chegar ao segundo turno. "Além de Marine, Sarkozy tinha um segundo front de oposição, em que Strauss-Kahn era um expoente. Agora, DSK está saindo do cenário político."

Confianças e opiniões

JAY CARNEY

PORTA-VOZ DA CASA BRANCA

"Continuamos confiando na instituição do FMI e em sua habilidade para continuar a executar sua missão efetivamente"

PASCAL PERRINEAU

CIENTISTA POLÍTICO

"Sarkozy tinha um front de oposição, em que Strauss-Kahn era um expoente. Agora, DSK está saindo do cenário político"

HARLEM DÉSIR

NÚMERO 2 DO PARTIDO SOCIALISTA FRANCÊS

"O PS não está enfraquecido"

JEAN-CHRISTOPHE CAMBADÉLIS

DEPUTADO SOCIALISTA

"Há muitas contradições"

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