Francesa condenada a 60 anos de prisão no México é libertada

Florence Cassez, que namorava criminoso líder de gangue de sequestradores, foi pivô de atritos entre México e França.

BBC Brasil, BBC

24 de janeiro de 2013 | 08h45

Uma francesa condenada a 60 anos de prisão no México por sequestro foi libertada na noite de quarta-feira após a Suprema Corte do país ter decidido que seus direitos foram violados.

Florence Cassez se disse inocente e várias irregularidades vieram à tona no decorrer do caso, incluindo uma batida policial falsa transmitida pela televisão.

Três juízes de um grupo de cinco votaram pela libertação imediata de Cassez.

O caso provocou atritos entre o México e a França, que vinha pedindo sua libertação imediata. Cassez é aguardada na manhã desta quinta-feira em Paris, em um voo da Air France.

A mãe da francesa, Charlotte, disse à TV francesa que a notícia da libertação de sua filha causou"uma explosão de alegria". "Eu ainda não posso acreditar (que ela foi libertada)", acrescentou.

Em um comunicado, o presidente da França, François Hollande, afirmou que a decisão marca o fim de um "período particularmente doloroso".

"O governo francês agradece a todos aqueles que, no México e na França, lutaram para que a verdade e a justiça prevalecessem."

Hollande telefonou para Cassez na noite de quarta-feira. Detalhes da conversa não foram revelados.

"Esse é um dia histórico na Justiça do México", acrescentou o advogado Frank Berton, que defendeu a francesa.

Críticas

Florence Cassez foi presa no dia 8 de dezembro de 2005 em um rancho próximo à Cidade do México, capital do país, onde foram encontrados vários reféns de uma gangue de sequestradores.

Ela negou o conhecimento dos sequestros, realizados pela gangue os Zodíacos, então liderada pelo seu namorado da época, Israel Vallarta, que confessou o crime.

No dia seguinte, a TV mexicana mostrou o que descreveu como uma transmissão ao vivo de uma batida policial, que posteriormente foi considerada falsa.

A Suprema Corte determinou que a "maquiagem" da notícia violou os direitos de Cassez.

A decisão de soltá-la foi duramente criticada por um dos reféns, Ezequiel Elizalde, afirmou o correspondente da BBC no México Will Grant.

Elizalde testemunhou contra Cassez e condenou a decisão da Corte do país, classificando-a como "nojenta".

Para ele, as instituições do México são "sujas".

Essa é a segunda vez que a Suprema Corte delibera sobre o caso.

Em março do ano passado, entretanto, os juízes decidiram pela prisão da francesa, apesar das supostas irregularidades encontradas no processo.

Cassez foi condenada pela primeira vez a 96 anos de prisão em 2007. Mas, em 2009, um tribunal de recursos reduziu sua pena para 60 anos.

As autoridades francesas tentaram extraditá-la, mas a estratégia foi bloqueada pelo governo mexicano.

O antecessor de Hollande no Palácio do Eliseu, Nicolas Sarkozy, tomou as rédeas do caso e, não raro, entrou em confronto com o governo de Felipe Calderón, então presidente do México.

As tensões diplomáticas atingiram um pico dois anos atrás quando as autoridades mexicanas cancelaram um evento cultural de grande prestígio na capital francesa, Paris. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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