Franceses acusados de seqüestro podem cumprir pena no Chade

Grupo de ONG é detido transportando ilegalmente 100 menores da região para serem adotados na França

Agências internacionais,

29 de outubro de 2007 | 14h15

O ministro do interior do Chade disse nesta segunda-feira, 29, que os seis franceses detidos no país por tentar levar à França ilegalmente cerca de 100 crianças chadianas devem ir à prisão. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, também condenou a ação "ilegal e inaceitável" da ONG "L'Arche de Zoé". O período de detenção provisória dos 17 detidos termina nesta segunda. As crianças, que têm até 12 anos, seriam levadas para a adoção na França. Segundo informações, cerca de 300 famílias teriam pago entre 2.800 e 6.000 euros para acolher uma criança. Segundo a organização, os menores eram órfãos da conflituosa região de Darfur, no Sudão. O ministro Ahmat Mahamat Bachir disse para a BBC que justiça deve processar os acusados por seqüestro. Dez outras pessoas foram detidas na ação, incluindo sete espanhóis da tripulação do avião, usado para ações de caridade e que transportaria as crianças. O governo francês está convencido da ilegalidade da operação promovida por uma ONG francesa para tirar as crianças do Chade e irá colaborar com a Justiça local, mas dará assistência consular e jurídica aos franceses e espanhóis detidos pelo caso. A informação foi confirmada para a imprensa pela secretária de Estado para os Direitos Humanos francesa, Rama Yade, que preside o "gabinete de crise" criado pelo Ministério das Relações Exteriores francês para fazer o acompanhamento do caso. De acordo com a equipe do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), muitas das crianças que estão no orfanato de Abeche, no Chade, choraram durante a noite pedindo pelos pais e afirmam que vivem no país.Bachir afirmou que os acusados tinham vistos falsos e que eles forjaram documentos. "Para nós, o seqüestro é mais do que um crime. Todos deveriam ser condenados por muitos anos". Ele acrescentou ainda que os presos deveriam cumprir pena no país africano, já que cometeram o crime no lugar. Sarkozy ligou no domingo à noite para o presidente chadiano, Idriss Déby, a quem manifestou sua "tristeza" por este "lamentável assunto", afirmou o porta-voz presidencial. Desde o início do conflito em Darfur (Sudão), em 2003, o Unicef e outras organizações deram alimentos, educação e proteção às crianças da região, e adotaram uma medida pela qual um menor órfão deve ser levado para outros membros de sua família ou comunidade. "A adoção só pode ser um último recurso e deve ser feita de forma legal", afirmou o presidente do Unicef na França, Jacques Hintzy, lembrando que a agência da ONU não estimula a iniciativa nem o apadrinhamento de crianças, para evitar a ação de pessoas interessadas em se aproveitar da situação. A Espanha não conta com representação diplomática no Chade, e por isso o cônsul de Camarões viajou no domingo ao país para se reunir com autoridades do Ministério de Exteriores chadiano e solucionar a situação dos espanhóis. A embaixada francesa quer a transferência dos detidos, ou pelo menos das mulheres, para dependências da Agência das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).

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