Franceses deixam prisão no Chade e voltam para casa

Em mais um triunfo da diplomacia de Sarkozy, membros de ONG acusados de seqüestro de menores são repatriados

Ndjamena, O Estadao de S.Paulo

29 de dezembro de 2007 | 00h00

Os seis franceses condenados no Chade por tentativa de seqüestro de 103 crianças africanas deixaram ontem o país rumo à França, onde devem cumprir pena. Na quarta-feira, um tribunal chadiano sentenciou os seis funcionários da ONG francesa Arca de Zoé a oito anos de trabalhos forçados.Os condenados, presos em outubro, afirmam que tentavam ajudar os órfãos de Darfur, região sudanesa vizinha do Chade, mas investigações mostraram que a maior parte das crianças era chadiana e vivia com pelo menos um de seus pais ou algum outro parente. A repatriação dos franceses foi possível graças a um acordo assinado em 1976 entre os dois países que permite o traslado dos condenados para a França. No entanto, um tribunal francês ainda deve decidir como a sentença será cumprida - uma vez que a Justiça francesa não permite pena de trabalho forçado.A diplomacia francesa já havia conseguido a libertação, em novembro, de outras sete pessoas que trabalhavam para o grupo, após a visita do presidente francês, Nicolas Sarkozy, ao Chade.O grupo de franceses deixou o Chade ontem acompanhado de um médico e oito funcionários do sistema carcerário da França. Dois integrantes do governo do Chade também acompanharam a viagem. A notícia da volta dos condenados para a França causou protestos no país africano. Os manifestantes qualificaram o fato de "uma amostra do tratamento especial recebido por europeus" no país.AP E EFEEFICIÊNCIA DIPLOMÁTICAColômbia - Em junho, o governo colombiano acatou pedido francês para libertar Rodrigo Granda, conhecido como o "chanceler" das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), para mediar negociações e libertar reféns como a ex-candidata presidencial colombiana Ingrid Betancourt, que tem cidadania francesa. Paris mantém ainda Bogotá sob pressão para negociar com a guerrilhaLíbia - Por pressão de Cécilia, então mulher de Sarkozy, o governo líbio libertou em julho cinco enfermeiras da Bulgária e um médico palestino detidos havia oito anos acusados de infectar mais de 400 crianças com o vírus HIV Chade: Intervenção de Sarkozy fez com que três franceses e quatro espanholas do grupo detido por suspeita de seqüestro de crianças africanas fossem libertados em novembro. Ontem, o governo francês conseguiu a repatriação dos outros seis franceses envolvidos no caso condenados a oito anos de trabalhos forçados

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