Franceses fazem greve contra reforma previdenciária

Os sindicatos franceses começaram hoje uma greve para protestar contra o aumento nas idades para a aposentadoria. Ontem, o Senado aprovou um projeto aumentando o tempo para se aposentar com salário integral de 65 para 67 anos. Esta é a quarta grande ação contra as reformas do governo em um mês. Os trabalhadores ameaçam cruzar os braços por tempo indeterminado. Os funcionários do sistema de transporte, professores e funcionários públicos pararam de trabalhar.

AE, Agência Estado

12 de outubro de 2010 | 09h13

Os turistas foram advertidos por funcionários locais de que devem enfrentar sérios problemas no sistema ferroviário e aéreo. Metade dos voos partindo para e deixando o Aeroporto de Orly, em Paris, e um em cada três no Charles de Gaulle, também na capital francesa, foram cancelados.

Apenas um terço dos trens de alta velocidade deveriam operar, mas os trens da Eurostar entre Paris e Londres estavam normalizados. Condutores do metrô parisiense e dos trens de subúrbio cruzaram os braços. Os professores, motoristas de caminhão e trabalhadores dos correios também pararam.

Os organizadores esperavam uma forte participação, para mostrar o descontentamento com as mudanças. No mês passado, os sindicatos organizaram três grandes protestos, incluindo duas greves, levando centenas de milhares para as ruas em protestos. O governo, porém, não recuou.

Os sindicatos ameaçam prorrogar a greve e convocaram mais manifestações para o sábado. Não está claro, porém, quantos trabalhadores votarão para ampliar a paralisação. Os professores e motoristas de caminhão, por exemplo, planejam parar apenas nesta terça-feira.

Pesquisa - Uma pesquisa da CSA mostrou no domingo que o apoio ao presidente Nicolas Sarkozy caiu para 31%, o índice mais baixo desde 2007, quando chegou ao posto. A reforma previdenciária é apontada por Sarkozy como crucial para as reformas do país. O presidente tenta controlar o déficit público, mas ao mesmo tempo pretende tentar a reeleição em 2012. Segundo a mesma empresa CSA, em pesquisa feita para o jornal Le Parisien divulgada ontem, 69% dos franceses apoiavam a greve de hoje.

O Senado deve discutir o tema até a sexta-feira. O governo espera que as reformas sejam aprovadas totalmente até o fim do mês.

Problemas - A companhia do setor de petróleo Total informou que cinco de suas seis refinarias no país estavam sendo afetadas pela paralisação. A produção está parada em duas delas, segundo a empresa.

No porto de Marselha, também há problemas por causa da greve. Segundo a autoridade portuária, 85 navios foram afetados, dos quais 56 são petroleiros. No porto de passageiros em Marselha, o esquema de funcionamento estava em ritmo reduzido. As informações são da Dow Jones.

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