Martin BUREAU / AFP
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Franceses reconquistam liberdade de movimento gradualmente

Nova fase do desconfinamento progressivo permite cidadãos viajarem a qualquer ponto do país sem a necessidade de justificativa e de frequentar bares e restaurantes

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2020 | 10h00

PARIS - Os franceses recuperaram nesta terça-feira, 2, a liberdade de viajar a qualquer ponto do país sem a necessidade de justificativa e de frequentar bares e restaurantes. A reconquista, contudo, ainda exige prudência de todos, ante um vírus que provocou quase 30.000 mortes na França e paralisou grande parte da economia.

O governo francês decidiu iniciar a fase 2 da flexibilização do confinamento, que representa praticamente o retorno à normalidade, após a queda do número de contágios por covid-19 registrada desde o início da primeira etapa, em 11 de maio.

Isto significa o fim da proibição de deslocamentos a mais de 100 km do domicílio, uma medida muito aguardada pelos moradores das grandes cidades ou pelas famílias separadas durante mais de dois meses.

"É possível que no próximo fim de semana eu consiga ver meus netos em Nantes", disse Linda Espallargas em Paris. "Mas vou no meu carro para ficar bem isolada, porque tenho mais de 65 anos e não confio", completa.

Após a reabertura de parques e jardins no sábado, as praias, museus, monumentos, zoológicos e até os teatros serão liberados nesta terça-feira, mas com o respeito ao distanciamento e o uso obrigatório de máscara. Os cinemas só devem reabrir as portas na fase 3, em 22 de junho.

Os cafés, bares e restaurantes, fechados por mais de dois meses, da região de Paris só poderão utilizar as áreas externas para receber clientes.

Otimismo

"O otimismo reina hoje", disse Hervé Becam, vice-presidente da União de Indústrias da Hotelaria (Umih). Mas alguns estabelecimentos não devem retomar as atividades imediatamente, já que o cenário é muito complicado ou pouco rentável.

Nas zonas laranja (Île de France - onde fica Paris - Guyane, Mayotte) ainda sob vigilância pelo coronavírus, apenas as áreas externas estão habilitadas. Nas zonas verdes, no interior do país, os estabelecimentos poderão receber no máximo 10 clientes por mesa. Além disso, as mesas precisam ter uma distância de um metro.

Na educação, todos os colégios e institutos da França devem retomar as aulas progressivamente. Na zona verde, todos os alunos poderão retornar aos centros de ensino, mas na zona laranja os estabelecimentos receberão prioritariamente os estudantes do 6º e 5º ano.

"Nosso objetivo é que todos os alunos do ensino fundamental, inclusive na zona laranja, tenham contato físico com a escola novamente, para entrevistas individuais, antes das férias", disse o ministro Jean-Michel Blanquer na semana passada. Mas as rígidas medidas de saúde podem prejudicar os bons propósitos.

A reabertura dos institutos será "progressiva" nas zonas verdes, com uma atenção "por nível", prometeu o ministro da Educação. Em Île de France, os alunos serão recebidos em "pequenos grupos" ou com "entrevistas individuais" que permitirão, de acordo com as necessidades, fazer um balanço de sua situação.

StopCovid

A epidemia matou 28.883 pessoas na França, de acordo com o balanço atualizado divulgado na segunda-feira. O número de pacientes no CTI permanece em queda, mas ainda é superior a mil pessoas. Entretanto o vírus continua circulando e as autoridades de saúde estão em alerta para detectar o mínimo sinal de aumento da epidemia para combater qualquer foco.

O aplicativo de rastreamento StopCovid, destinado a ajudar o controle da propagação do vírus, estará disponível a partir desta terça-feira. Os donos de smartphones podem instalar o programa de maneira voluntária. "Precisamos que o maior número possível de pessoas tenham o aplicativo", afirmou o secretário de Estado para a Tecnologia Digital, Cédric O.

No caso de uma segunda onda de infecção, o governo já advertiu que pode adotar novamente medidas de confinamento, em particular restrições à circulação. Mas um novo confinamento seria um duro golpe para a economia. O governo calcula que o PIB do país pode cair até 11% em 2020. "O país vai ter que lutar contra o impacto de uma recessão histórica", alertou o primeiro-ministro Edouard Philippe./ AFP

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