Zakaria Abdelkafi / AFP
Zakaria Abdelkafi / AFP

Franceses vão às ruas pelo 2º dia consecutivo contra a reforma da previdência de Macron

Na quinta, protestos pelo país reuniram mais de 800 mil pessoas; líder de sindicato afirma que greve pode continuar até segunda-feira se governo não adotar as medidas adequadas

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de dezembro de 2019 | 08h00

PARIS - A França enfrenta nesta sexta-feira, 6, o segundo dia de greve em protesto contra a reforma do sistema da previdência planejada pelo governo do presidente Emmanuel Macron, que na quinta levou mais de 800 mil pessoas às ruas em todo o país.

No primeiro dia da paralisação nacional, considerada um teste crucial para Macron e sua agenda reformista, foram registradas manifestações em mais 70 cidades, assim como greves nos transportes públicos e escolas. Yves Veyrier, líder do sindicato Força Operária, advertiu que a greve pode prosseguir até segunda-feira, se o governo não recuar.

Caos no trânsito e nos transportes continua

Nesta sexta-feira, as autoridades registraram 340 quilômetros de engarrafamentos nos acessos à capital. Assim como na véspera, a empresa nacional de trens cancelou 90% das viagens de longa distância e 70% dos trajetos com trens regionais.

Para Entender

O sistema de Previdência social igual para todos proposto por Macron

Reforma é a mais audaciosa da agenda social do presidente francês para este ano e busca extinguir as distorções que beneficiam vários setores; em contrapartida, não haverá aumento da idade de aposentadoria, hoje fixada em 62 anos

Os parisienses precisaram novamente de paciência para chegar ao trabalho. Nove das 16 linhas de metrô permaneceram fechadas, cinco funcionaram com a capacidade reduzida e apenas duas, completamente automatizadas, circularam. Apesar da baixa temperatura, muitos parisienses usaram suas bicicletas ou recorreram ao sistemas gratuitos ou patins elétricos. Outros compartilharam carros ou decidiram trabalhar de casa.

A Air France cancelou pelo segundo dia consecutivo 30% dos voos domésticos e 10% dos voos de média distância. O Eurostar, trem que cruza o Canal da Mancha, também teve suas viagens canceladas. Os jornais de tiragem nacional não conseguiram publicar suas edições impressas e sete das oito refinarias do país não reabriram, o que aumentou o risco de falta de combustível se a mobilização continuar por mais tempo.

Na educação, no entanto, a situação era melhor que na véspera. Muitos professores retornaram às aulas ontem. Também voltaram a funcionar normalmente vários monumentos, como a Torre Eiffel, e museus, como o Louvre.

Indignação popular

A greve foi motivada pela reforma da previdência que é preparada pelo governo de Macron, uma promessa de campanha que tem como objetivo eliminar os 42 regimes especiais que existem atualmente e concedem privilégios a determinadas categoria profissionais. O governo pretende estabelecer um sistema único, por pontos, no qual todos os trabalhadores terão os mesmos direitos no momento de receber a aposentadoria.

Para o governo, esse é um sistema mais justo e mais simples. Mas os sindicatos temem que as novas regras adiem a aposentadoria, atualmente aos 62 anos, e diminua o valor das pensões. Macron, que quer apresentar a reforma ao Parlamento no início de 2020, declarou estar “determinado” a levar o projeto adiante.

O primeiro-ministro, Édouard Philippe, afirmou que vai apresentar as "grandes linhas" da reforma na próxima semana, pois até o momento não foi divulgado o conteúdo final da proposta.  

O governo, no entanto, emitiu sinais contraditórios. “Nós ouvimos a revolta dos franceses”, disse ontem  a ministra da Solidariedade e Saúde, Agnès Buzyn, após os protestos, levando a crer que o projeto ainda pode ser amenizado. 

De acordo com uma pesquisa, 62% dos franceses apoiam a greve e 75% criticam a política econômica e social do governo Macron. / AFP

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