Franceses voltam às ruas contra reforma previdenciária

Trabalhadores franceses estão realizando hoje uma série de manifestações em todo o país contra o projeto do governo para alterar a idade mínima para a aposentadoria, de 60 para 62 anos. Houve mobilizações em cidades do interior da França e na capital Paris. No total, há 232 protestos planejados, segundo o sindicato liderado pelos comunistas Confédération Générale du Travail (CGT). Estimativas dos sindicatos contam com um total de manifestantes superior ao da última grande greve, no começo de setembro, quando entre 1,1 milhão e 2,7 milhões de pessoas foram às ruas.

AE, Agência Estado

23 de setembro de 2010 | 09h37

O sistema de transportes foi bastante afetado hoje, com apenas 50% dos trens de alta velocidade e regionais em operação. Em algumas linhas entre províncias, a operação foi reduzida em 25%, segundo a estatal operadora do sistema ferroviário, SNCF. Os trabalhadores que partiam dos subúrbios em direção a Paris também enfrentavam grandes dificuldades, com apenas três trens suburbanos circulando em algumas linhas. O movimento no sistema de transporte subterrâneo na capital estava perto de seus níveis normais nas principais linhas, segundo a operadora RATP.

A companhia aérea Air France-KLM informou que estava cancelando a metade de seus voos de curta e média distância partindo de Paris, mas manteria todos os voos de longa distância. Os serviços postais também foram afetados, com 30% dos trabalhadores do setor em greve ao meio-dia (hora local), segundo o sindicato de esquerda Sud. A companhia petrolífera francesa Total informou nesta quinta-feira que entre 50% e 80% dos trabalhadores das refinarias francesas estavam em greve pelo país, mas isso não representava um "impacto significativo" na produção de petróleo.

Reforma previdenciária

O tema do aumento da idade mínima para as aposentadorias é bastante impopular no país. Uma pesquisa publicada nesta quinta-feira pelo jornal Libération mostra que 59% dos franceses são contrários às medidas, e que 63% apoiam os protestos. A reforma também pretende alterar a idade com que as pessoas poderão se aposentar para receber salário integral, de 65 para 67 anos.

Segundo o presidente francês, Nicolas Sarkozy, a reforma previdenciária é fundamental para a credibilidade financeira do país. A França busca cortar gastos para reduzir o déficit público projetado para 2010 de 8% do Produto Interno Bruto (PIB) para 3% do PIB em 2013, o máximo permitido pelos tratados da zona do euro.

Os sindicatos querem mostrar peso no debate que começa no Senado no início de outubro. Na semana passada, a Assembleia Nacional aprovou as alterações. Os trabalhadores querem aproveitar a falta de popularidade do governo, bem como o fato de a situação não ter uma maioria folgada no Senado.

Os sindicatos estão unidos na demanda por manter a idade mínima para a aposentadoria em 60 anos. Até agora, porém, o governo permanece irredutível na reforma que, segundo a administração, representará uma economia de 20 bilhões de euros até 2020 e equilibrará o sistema previdenciário até 2018. Na segunda-feira, o ministro do Trabalho, Eric Woerth, disse estar aberto a concessões para trabalhadores com deficiências e desempregados próximos da aposentadoria, além de trabalhar pela redução da diferença entre os salários de homens e mulheres. As informações são da Dow Jones.SU

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