REUTERS/Alessandro Bianchi
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Francisco divide críticas entre os 'poderosos de turno' e o individualismo

Diante do presidente equatoriano acusado de autoritarismo, papa ataca ditaduras; pontífice defende redução da desigualdade, bandeira do governo local

Rodrigo Cavalheiro, Enviado Especial / Quito, O Estado de S. Paulo

07 de julho de 2015 | 13h35

QUITO - O papa Francisco fez de parte da sua última missa no Equador nesta terça-feira, 7, um manifesto político contra o autoritarismo e o individualismo. No Parque Bicentenário, em Quito, o líder católico lembrou o processo de independência dos países latino-americanos, iniciado há dois séculos, para denunciar injustiça social e mandar mensagens a ditadores. 

"Esse foi um grito (de independência) nascido da consciência da falta de liberdades, de estar sendo saqueados e submetidos a conveniências circunstanciais dos poderosos de turno", disse Francisco, interrompido nesse momento por aplausos dos fiéis, estimados em 1,2 milhão, segundo o governo. 

Acusado de manter um governo autoritário desde 2006, o presidente Rafael Correa, presente na missa, enfrenta há um mês uma série de protestos. Sua popularidade, que ao longo de nove anos se manteve entre 55% e 60% em média, caiu para 42% no último mês, segundo o instituto Cdatos. 

Francisco apontou causas políticas para o mundo estar "lacerado" por guerras e violencia. "Seria superficial pensar que a divisão e o ódio só provocam tensões entre os países e os grupos sociais. Na realidade, são a manifestação desse ´individualismo difuso´ que nos separa e nos confronta". 

O governo equatoriano, de linha bolivariana, usa a crítica ao individualismo e os apelos papais pela "inclusão a todos os níveis", termo mencionado novamente por Francisco nesta terça-feira, para justificar projetos como os que taxam heranças e regulam os lucros do mercado imobiliário. Foram esses textos que motivaram as manifestações que desde o início de junho reuniram 600 mil nas principais cidades, Quito e Guayaquil. 

Na quinta-feira 2, os atos contra Correa acabaram em confronto na capital equatoriana. A repercussão dos protestos nos dias que antecederam a chegada do papa fizeram o governo pela primeira vez recuar e retirar os projetos, apesar de dominar o Congresso, a Justiça e parte dos meios de comunicação. "A imensa riqueza do variado nos afasta da tentação de propostas mais próximas de ditadura, ideologias e sectarismos", afirmou o papa.

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