EFE/ALEJANDRO ERNESTO
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Francisco pede a Cuba que semeie reconciliação

Antes de partir rumo aos EUA, papa afirma a Raúl Castro que ‘nossa revolução passa pela alegria que traz a proximidade e a compaixão’

Felipe Corazza, ENVIADO ESPECIAL, HAVANA, O Estado de S. Paulo

23 Setembro 2015 | 02h00

Em seu último dia em Cuba, o papa Francisco celebrou ontem pela manhã uma missa no Santuário de Nossa Senhora do Cobre, padroeira do país. Durante a cerimônia, o papa reforçou os pedidos para que o país busque “semear a reconciliação”.

Diante do presidente Raúl Castro, Francisco afirmou: “Nossa revolução passa pela ternura, pela alegria que traz a proximidade, que traz a compaixão e nos leva a nos envolver, para servir, na vida dos demais”. Raúl esteve nas três missas celebradas pelo papa na ilha – em Havana, Holguín e Santiago.

Após a viagem de quatro dias, na qual teve uma agenda intensa e consolidou seu papel como mediador da abertura da ilha ao mundo – em particular, na retomada da relação bilateral com Washington, Francisco partiu no início da tarde para os EUA. 

Na manhã de ontem, antes de iniciar a missa, o papa rezou solitariamente diante da imagem da Virgem, cumprindo a promessa feita antes da viagem – a de que iria ao santuário “como um peregrino a mais”. A Virgem da Caridade do Cobre foi proclamada oficialmente como padroeira de Cuba pelo papa Bento XV, em 1916.

Após a missa, o pontífice foi à catedral da cidade para um encontro com sacerdotes e famílias. “Obrigado famílias cubanas, obrigado cubanos, por me fazer sentir em família nesses dias todos. Por me fazer sentir em casa. Esse encontro com vocês é como a cereja do bolo.”

O pontífice acrescentou que era um prazer concluir a visita num encontro que exemplificou o “calor de gente que sabe acolher, que sabe fazer alguém se sentir em casa”.

Ao lado do monsenhor Dionisio García, arcebispo de Santiago, o pontífice dedicou boa parte de suas palavras à importância das famílias como núcleos para construir uma sociedade mais justa e um mundo melhor.

“A família nos salva de dois fenômenos contemporâneos: a fragmentação e a massificação. Em ambos os casos, as pessoas se transformam em indivíduos isolados e fáceis de manipular e governar.”

O pontífice lembrou que participará, na Filadélfia, do Encontro Mundial das Famílias e, posteriormente, do Sínodo dos Bispos. Francisco pediu aos fiéis que rezem pelo sucesso dos dois eventos.

“Apesar de tantas dificuldades que atingem hoje nossas famílias, não nos esqueçamos de algo, por favor: as famílias não são um problema. São, principalmente, uma oportunidade. Uma oportunidade que temos para cuidar, proteger e acompanhar”, declarou o papa.

Deixando a catedral da cidade, Francisco saudou uma multidão que o aguardava do lado de fora e abençoou Santiago de Cuba de forma bem-humorada. “Abençoarei vocês, mas com uma condição. Têm de pagar algo: não se esqueçam de rezar por mim.”

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