Francisco pede diálogo com o Islã quer chegar aos ateus

O papa Francisco pediu nesta sexta-feira que a igreja católica "intensifique" o diálogo com o Islã e com os ateus, num discurso a embaixadores de 180 países que mantêm relações diplomáticas com a Santa Sé no qual também condenou a "pobreza espiritual" no Ocidente.

Agência Estado

22 de março de 2013 | 12h05

"É importante intensificar o diálogo entre as várias religiões e penso particularmente no diálogo com o Islã", disse ele. "É também importante intensificar o alcance aos ateus", acrescentou. Francisco também enviou uma mensagem de paz para a China e outros países que não têm relações diplomáticas com a Santa Sé.

Em seu primeiro discurso como papa, Francisco falou em italiano em vez do tradicional francês, outra indicação de que o papa argentino não fica muito confortável ao usar outras línguas que não o italiano e o espanhol.

O papa explicou aos embaixadores que vai trabalhar para a paz, pelos pobres e pela "construção de pontes" entre os povos, lembrando que o título "pontífice" significa construtor de pontes.

As relações do Vaticano com o Islã enfrentaram períodos complicados durante o papado de Bento XVI. Ele irritou os muçulmanos num discurso de 2006, quando citou um imperador bizantino dizendo que alguns dos ensinamentos do profeta Maomé eram " maus e desumanos".

Em 2011, o Instituto Al-Azhar do Cairo, importante centro de ensino islâmico sunita, congelou o diálogo com o Vaticano em protesto contra o pedido de Bento XVI de maior proteção aos cristãos no Egito.

Nesta sexta-feira, o Vaticano informou que o imã chefe do Al-Azhar, xeque Ahmed el-Tayyib, enviou uma mensagem de congratulações a Francisco por sua eleição e expressou sua expectativa de cooperação. Este é um possível sinal de descongelamento das relações com a chegada de um papa cujo alcance inter-religioso, quando era arcebispo de Buenos Aires, foi bem documentado.

Bento XVI havia escolhido como uma de sua prioridades a melhora das relações com a China, tendo em vista os milhões de fiéis que pertencem à igreja católica. Mas as relações permaneceram particularmente em relação à nomeação dos bispos. O governo chinês insiste em nomeá-los, mas o Vaticano diz que apenas o papa pode tonar esse tipo de decisão.

A China parabenizou Francisco por sua eleição, mas disse que o estabelecimento de relações formais vai depender do Vaticano cortar relações formais com Taiwan e interromper atividades que o país considera como um intervenção em seus assuntos internos, uma referência à nomeação dos bispos. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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