Osservatore Romano/Handout via Reuters
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Francisco se reúne com militar responsabilizado pela perseguição aos rohingya em Mianmar

Mais de 620 mil refugiados da minoria muçulmana fugiram para Bangladesh em razão da ofensiva das autoridades birmanesas, que são acusadas de realizar uma"limpeza étnica"

O Estado de S.Paulo

27 Novembro 2017 | 13h02

RANGUM, MIANMAR - O papa Francisco foi recebido por milhares de birmaneses com as tradicionais roupas brancas em Rangum, maior cidade e antiga capital de Mianmar, nesta segunda-feira, 27, para uma visita considerada delicada. O governo do país, de maioria budista, foi acusado, recentemente, de realizar "limpeza étnica" contra a minoria muçulmana rohingya. Seu primeiro compromisso foi uma reunião com o chefe do Exército birmanês, Min Aung Hlaing, considerado o responsável pela ofensiva que ocasionou o êxodo dos rohingya para Bangladesh.

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Nesta terça-feira, 28, o pontífice deverá se encontrar com Aung San Suu Kyi, líder de facto do país, Nobel da Paz que também é responsabilizada pela perseguição contra a minoria muçulmana.

O Exército de Mianmar nega as acusações de assassinato, estupro, tortura e deslocamento forçado contra os rohingya.

A reunião de Francisco com o chefe do Exército birmanês, que controla os ministérios de Defesa, Interior e Fronteiras, durou 15 minutos. Segundo o porta-voz do Vaticano Greg Burke, o pontífice falou sobre "a responsabilidade das autoridades nesta época de transição do país".

A reunião aconteceu na sede do arcebispado de Rangum, onde Francisco está hospedado. O pontífice não tinha atos previstos para esta segunda na agenda, mas finalmente decidiu antecipar o encontro que tinha programado com o comandante militar na quinta-feira. Três generais do Serviço Especial de Operações e um tradutor da Igreja católica birmanesa também participaram da reunião.

O Vaticano definiu a reunião como "uma visita de cortesia". No fim do encontro houve uma troca de presentes: o papa deu ao general a medalha comemorativa da viagem, enquanto o militar lhe presenteou uma cumbuca ornamental para comer arroz e uma tradicional harpa birmanesa.

A campanha militar contra a minoria muçulmana em Mianmar começou no final de agosto. O Alto Comissariado dos Direitos Humanos da ONU qualificou a ofensiva como uma "limpeza étnica de manual". Mais de 620.000 rohingyas fugiram por terra para Bangladesh.

Francisco segue nesta terça-feira para a capital birmanesa, Naipyidaw, para se reunir com o presidente do país, Htin Kya, Aung San Suu Kyi, que foi duramente criticada pela comunidade internacional por não ter impedido a perseguição das autoridades de Mianmar contra os rohingyas. 

Muitos católicos chegaram de todas as partes do país para dar as boas-vindas ao pontífice, ostentando bandeiras birmanesas e do Vaticano. Os católicos representam pouco mais de 1% da população birmanesa. "Vi o papa. Estou tão feliz que chorei", exclamou Christina Aye Aye Sein, uma jovem católica, pouco depois da passagem do comboio do papa, em Yangun, capital econômica de Mianmar.

Em sua 21ª viagem desde que assumiu o pontificado, em março de 2013, Francisco também visitará Bangladesh. / REUTERS e EFE

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