L'osservatore Romano/EFE
L'osservatore Romano/EFE

Francisco vai refazer Constituição do Vaticano

Grupo começa a se reunir nesta terça-feira com o pontífice para reformar a Igreja e ainda deve opinar sobre temas diversos, incluindo casamento e divórcio

Jamil Chade,

30 de setembro de 2013 | 22h57

Sob as ordens do papa de "rasgar e rescrever" a Constituição Apostólica, oito cardeais começam nesta terça-feira, 1º de outubro, as reuniões com Francisco para reformar o Vaticano, sua burocracia, suas operações e a forma pela qual se comunica com fiéis e o mundo. A meta será a de dar maior voz aos bispos de todo o mundo e, de certa forma, descentralizar parte das ações da Santa Sé.

Em abril, o papa anunciou a escolha de oito cardeais que iriam liderar o processo de reforma e que, durante os últimos meses, coletaram centenas de propostas de todo o mundo e prepararam um informe de mais de 500 páginas.

O líder do grupo, o cardeal Oscar Rodríguez Maradiaga, revelou que o pedido do papa não era apenas de mudar "isso ou aquilo" na Constituição, conhecida como Pastor Bonus. "Essa Constituição acabou", disse Maradiaga, se referindo aos textos que foram emitidos em 1988 pelo papa João Paulo II. "Vamos fazer algo diferente. Precisamos escrever algo diferente", disse o cardeal, em entrevista a uma TV canadense.

Mas a reforma da Constituição é apenas parte do processo. O papa pediu ao grupo a opinião sobre o casamento e a possibilidade de divorciados que voltem a se casar poderem comungar, sobre o sínodo dos bispos e sobre a relação entre a Igreja de base e a Igreja em Roma. Segundo o Estado apurou, parte das propostas indica um equilíbrio entre uma flexibilização da posição da Igreja e a manutenção dos dogmas intactos.

Fontes no Vaticano admitiram ao Estado que há um sentimento nos últimos dias entre a Cúria de "expectativa e nervosismo". "Essa será a maior obra de Francisco na Igreja e ele sabe que poderá abalar as estruturas do Vaticano", reconheceu um religioso na Santa Sé, que pediu para não ser identificado.

Para fazer a reforma, Francisco escolheu seu G8 (grupo de oito cardeais), mas deixou claro que queria que as propostas fossem coletadas da base. A estratégia é mostrar àqueles que resistem às mudanças que, na prática, o papa apenas está escutando as realidades de diferentes bispos pelo mundo. "Francisco quer usar sua base como seu próprio escudo", contou outro diplomata.

Um temor do grupo que apoia o papa é que a implementação de qualquer uma das propostas de reforma acabe criando um mal-estar político dentro da Cúria. Não por acaso, no fim de semana, o papa deu claras indicações de que não aceitará que a Santa Sé se transforme em um local de disputa de poder. No sábado, em uma conversa com a segurança do Vaticano, ele ordenou que os policiais não hesitem em punir quem praticar "fofoca". "Isso é uma guerra travada com a língua", disse. "Aqui não pode haver isso."

Escuta. Na reunião desta terça, o papa vai mais escutar do que falar. Cada um dos cardeais apresentará sua avaliação. Mas todos no Vaticano insistem que, nesta semana, nenhuma decisão será tomada. Para Maradiaga, nada do que vai começar a ser realizado besta terça-feira poderá ser concluído em "um ou dois meses". "Esse será um processo longo."

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