Franco mira 'público interno', afirma Garcia

Assessor do Planalto rejeita críticas do Paraguai e diz que Brasil 'há anos' apoia projetos no país

ROBERTO SIMON, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2012 | 03h02

As ameaças do Paraguai de rever o fornecimento ao Brasil de energia produzida em Itaipu são para "consumo interno", disse ontem o assessor para assuntos internacionais do Planalto, Marco Aurélio Garcia. "E nós estamos felizes com a intenção paraguaia de consumir mais energia", completou, em tom de ironia.

Convidado a ministrar a aula inaugural do curso de relações internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de São Paulo, o assessor da Presidência garantiu que não há nenhuma negociação em curso com Assunção para rever os preços da energia.

O Brasil vem trabalhando "há anos" para ampliar o consumo energético do Paraguai, afirmou, citando como exemplo a linha de transmissão que está sendo construída - com ajuda brasileira - entre Itaipu e Assunção.

"O Paraguai foi suspenso do Mercosul porque feriu as normas do Protocolo de Ushuaia", argumentou o professor, em referência à cláusula democrática do bloco sul-americano. "A Venezuela estará sujeita a essas mesmas normas - é um quiproquó. E os venezuelanos têm consciência disso."

O assessor do Planalto defendeu a entrada de Caracas à revelia do Paraguai, dizendo que o bloco não poderia ficar "congelado" pelo fato de um de seus membros ter sido suspenso. Assunção deve retornar lugar no bloco após as eleições de abril, completou, mas os paraguaios "não poderão tomar nenhuma decisão" em relação à presença venezuelana. Garcia pediu ainda uma investigação internacional sobre o massacre de Curuguaty, episódio que desatou a crise no Paraguai.

Em mais de duas horas de palestra, o acadêmico e militante histórico do PT - tido como um dos idealizadores da política externa do governo Luiz Inácio Lula da Silva - falou sobre a "opção sul-americana" feita pelo Brasil nos últimos dez anos. No que chamou de "notas de rodapé" e "parênteses" durante sua fala, reservou algumas estocadas na oposição e na imprensa.

Para Garcia, políticos e jornais que hoje dizem apoiar o Paraguai criticaram, em 2009, o acordo firmado pelo governo Lula para pagar mais pela energia paraguaia. "Agora eles derramam lágrimas de crocodilo." Antes, chamou a grande imprensa de "comitê de propaganda e agitação".

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