Franco Modigliani, Nobel de Economia, morre aos 85 anos

Na terça-feira, Franco Modigliani juntou-se a dois outros prêmios Nobel ? Paul Samuelson e Robert Solow ? numa carta, publicada pelo New York Times, criticando a decisão da Anti-Defamation League (Liga Anti-Difamação), um grupo de direitos civis judeu, de homenagear o primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi. Foi o último ato público de Modigliani, professor emérito do Massachusetts Institute of Technology, o italiano que ganhou um Nobel de Economia. Ele morreu na noite de ontem, aos 85 anos, enquanto dormia, em sua casa em Cambridge. O anúncio foi feito hoje pela porta-voz do MIT, Sara Wright. Na carta-aberta do New York Times, Modigliani e seus colegas diziam que era inapropriado homenagear Berlusconi, diante de suas observações a respeito de Mussolini, que ?nunca matou ninguém. Apenas mandou pessoas em férias para o exílio.? Essa entrevista do primeiro-ministro foi publicada pelo semanário conservador inglês The Spectator e um pequeno jornal italiano. Berlusconi tentou, depois, minimizar suas palavras, garantido que não tentara mudar o papel de Mussolini na história e expressou arrependimento pela afirmação. Mas Modigliani não aceitou as desculpas e disse, em uma entrevista à agência Associated Press, que a ADL desejava relevar a gafe de Berlusconi ? que esqueceu que Mussolini deportou mais de 7.000 judeus, 5.919 dos quais foram mortos ? por causa do apoio do líder italiano ao primeiro-ministro Ariel Sharon. Mas Modigliani, que nasceu na Itália e emigrou para os Estados Unidos no começo da Segunda Guerra e ganhou o Nobel de 1985, será mais lembrado por suas teorias a respeito da poupança como meio de garantir a velhice e por refinar idéias sobre como determinar o valor de mercado das empresas.

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