Frattini: Kadafi perdeu o controle do Leste da Líbia

O ministro das Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, disse hoje que o governante da Líbia, Muamar Kadafi, perdeu o controle da região da Cirenaica, ou o Leste da Líbia, para os insurgentes. "A Cirenaica não está mais sob o controle do governo da Líbia e existem explosões de violência ao redor do país", disse Frattini. O chanceler italiano também acusou Kadafi de praticar um "horrível banho de sangue" contra a população.

ANDRÉ LACHINI, Agência Estado

23 de fevereiro de 2011 | 14h38

Falando em uma reunião organizada pela Comunidade de Santo Egídio, uma organização católica em Roma, Frattini disse que ocorreram recentes proclamações na Cirenaica de que a região agora é um "emirado islâmico" e que foram feitos pedidos para que a região rompa as relações com o Ocidente.

Frattini disse que a situação na Líbia é grave e que o discurso feito por Kadafi ontem, no qual ele pediu a seus partidários que esmaguem os insurgentes, apenas piorou a situação. "Os comentários feitos ontem por Kadafi, nos quais ele expressou uma vontade de agredir o próprio povo, são um convite para uma situação de guerra civil entre regiões e províncias, envolvendo gangues e esquadrões da morte", disse o chanceler da Itália. "Essa é uma avaliação que eu compartilhei com muitos colegas europeus e não europeus", disse Frattini.

Protesto

Manifestantes enfrentaram a polícia em Roma e tentaram invadir a Embaixada da Líbia na Itália, mas não conseguiram. Eles então retiraram a bandeira verde da Líbia de um mastro e a substituíram pela bandeira antiga do Reino da Líbia, a qual era usada pelo país antes de 1969, quando o coronel Muamar Kadafi derrubou a monarquia.

Cerca de 150 manifestantes participaram do protesto, que ocorreu na manhã de hoje. Os manifestantes também protestaram contra a amizade de Kadafi e do primeiro-ministro da Itália, Sílvio Berlusconi. O premiê deu uma entrevista hoje, na qual afirmou que é preciso denunciar a violência do governo de Kadafi contra os manifestantes, mas também alertou sobre o risco do "fundamentalismo islâmico" tomar o poder no leste da Líbia. Com informações da Dow Jones e Associated Press.

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