Fraudes com benefícios a vítimas do Katrina passam de US$ 1 bi

Uma investigação conduzida pelo Escritório de Contabilidade Governamental do governo dos Estados Unidos (ECG) concluiu que mais de US$ 1 bilhão doados para ajudar as vítimas dos furacões Katrina e Rita foram desviados para usos escusos. Segundo o ECG, o dinheiro distribuído pela Agência Federal de Gerenciamento de Emergências (Fema, na sigla em inglês) teria sido usado, entre outras coisas, para comprar ingressos de partidas de futebol americano, com gastos de uma viagem de férias e com uma operação de troca de sexo. As evidências pioram a situação do governo diante da crise causada pelos furacões, que deixaram cerca de 1.500 americanos mortos. Em uma reportagem publicada em seu site na internet, a rede de TV a cabo americana CNN também revela gastos de US$ 1.000 com um escritório de advocacia especialista em divórcios, US$ 600 com um clube de strip-tease, e US$ 400 com produtos eróticos. Na mesma reportagem, a CNN aponta ainda a concessão de benefícios para pessoas que não perderam suas casas após os furacões. Presos e pessoas que estariam vivendo em hotéis pagos pelo governo também receberam a ajuda.De acordo com o agente do ECG John Ryan, os gatos com os benefícios distribuído pela Fema não tinham como ser controlados pela agência.Segundo a investigação conduzida pelo ECG, os falsários utilizaram informações incorretas ou incompletas para receber os benefícios.Para piorar o problema, os investigadores mostraram também a cópia de um cheque do Tesouro Nacional de US$ 2.358 que deveria ter sido usado para o pagamento de aluguel, mas cujo beneficiado, um agente disfarçado, cadastrou-se utilizando o endereço de um cemitério. Mesmo tendo descoberto a fraude, a Fema descontou o cheque.Para um porta-voz da agência, no entanto, o órgão "leva muito a sério sua responsabilidade" e "é muito atento para saber como o benefício distribuído está sendo gasto."A Fema afirma que identificou mais de 1.500 casos de fraudes em potencial após os furacões Katrina e Rita, e ainda enviou estes casos ao departamento de Segurança Interna. A agência diz que os prejuízos causados pelo desastre foram de US$ 16,8 milhões. Deputados enfurecidosDurante a apresentação dos resultados da investigação à Comissão de Segurança Interna da Casa dos Representantes, no Congresso americano, uma autoridade da Fema enfureceu os legisladores ao colocar em dúvida a conclusão do ECG. Em sua exposição ao Congresso, a representante do diretor da Fema, Donna Dannels, alegou que as conclusões das investigações "representam apenas uma fração do total da assistência provida".Segundo uma análise estatística do ECG, o tamanho da fraude pode chegar a 16% do total dos pagamentos feitos pela FEMA.Para Donna, no entanto, o ECG investigou apenas 0,01% dos 2,5 milhões de beneficiados da assistência, e disse que a Fema apenas teve conhecimento das novas estimativas na última semana.O chefe de investigações da Comissão, deputado Michael McCaul, disse que o ECG tem trabalhado com a Fema desde fevereiro no caso, e acusou Donna de "se negar a cooperar" com as investigações.Outro que se irritou com a postura de Donna foi o diretor de audições forenses e investigações especiais do ECG, Gregory Kutz. Segundo Kutz, a Fema pode estar tendo dificuldades em aceitar os resultados das investigações porque o seu diretor, R. David Paulison, havia estimado o tamanho da fraude em apenas 2% ou 3% do total dos benefícios.

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