Fraudes de repórter constrangem o New York Times

Em uma iniciativa inusitada, o jornal norte-americano The New York Times, um dos mais respeitados do mundo, publicou com destaque, na primeira página de seu site na internet, um extenso relatório sobre "fraudes jornalísticas" de um ex-repórter. Jayson Blair, de 27 anos, pediu demissão recentemente, depois que uma comissão de investigação interna foi instaurada para avaliar os danos causados por suas reportagens. Blair trabalhou no jornal durante quatro anos. Inventava fatos e depoimentos de entrevistados, fingia ter estado em outras cidades e plagiava artigos de outras publicações em seus textos. "Em uma investigação destinada a corrigir informações erradas e a explicar como esta fraude pôde ter persistido por tanto tempo no The New York Times, jornalistas da publicação descobriram até agora problemas novos em pelo menos 36 dos 73 artigos publicados por Blair desde que começou a escrever sobre temas nacionais, em outubro passado", diz o comunicado do jornal. Segundo a publicação, Blair trabalhou em casos de destaque como o do franco-atirador que matava transeuntes em Washington, "enganou aos leitores e ao jornal com relatos em que fingia escrever de Maryland, Texas e outros Estados quando, freqüentemente, estava longe desses locais, em Nova York". "Ele fabricava comentários. Inventava cenários. Roubava material de outros jornais e serviços de notícias. Procurava detalhes em fotografias para criar a impressão de que havia estado em um lugar ou se encontrado com uma pessoa (para usar nos textos), quando não havia estado." Em 152 anos de existência do The New York Times, esta é uma das crises mais sérias. O jornal pediu aos leitores que enviem queixas por e-mail para ajudar na investigação de outros 600 textos de Blair ainda não avaliados.

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