EFE/Kasper Kapron
EFE/Kasper Kapron

Frei Carmelo, o cachorro com batina protegido pelos franciscanos da Bolívia

Animal chegou ao convento há quatro meses, quando uma família da cidade de Quillacollo o presentou ao religioso polonês Kasper Kapron

O Estado de S.Paulo

14 de março de 2017 | 05h00

LA PAZ - No convento dos franciscanos da cidade de Cochabamba, no centro da Bolívia, corre alegremente há alguns meses Frei Carmelo, um cão da raça Schnauzer que foi vestido igual aos frades, aos quais costuma acompanhar em algumas atividades cotidianas, menos na sala de orações.

Frei Carmelo chegou ao convento há quatro meses, quando uma família da cidade de Quillacollo o presentou ao religioso polonês Kasper Kapron, amante dos animais que ensina Teologia na Universidad Católica Boliviana.

"Nós, os franciscanos, somos encantados com a proteção dos animais e da natureza, por isso todos cuidamos de Frei Carmelo", disse à Agência EFE Kapron, que chegou à Bolívia há seis anos, procedente de sua Polônia natal.

O cachorro foi batizado como Carmelo em homenagem a um pároco franciscano estabelecido também em Cochabamba que lutava pela justiça e pela paz e amava a natureza como todos os frades da mesma ordem.

Os irmãos do convento também chamam seu companheiro canino de "Frei Bigotón", por causa dos pêlos cinzentos e brancos que tem no focinho e que se assemelham a um bigode.

Este peculiar frade tinha apenas um mês de vida quando chegou ao convento e, para que se sinta como um deles, lhe confeccionaram uma pequena batina similar à usada pelos franciscanos.

Recentemente, Kapron postou no Facebook uma série de fotografias do animalzinho posando com o hábito franciscano com outros frades no pátio do convento.

O álbum de Frei Carmelo foi compartilhado mais de 2.200 vezes nessa rede social, mas, além disso, a história do cão atraiu a atenção dos veículos de comunicação bolivianos que divulgaram a notícia.

Em todos os conventos dos franciscanos é permitido ter algum animal de estimação, mas "Frei Bigotón" é o único que usa esta peculiar vestimenta, segundo o dono do cão.

O fato de Frei Carmelo usar um hábito tem uma mensagem simbólica, já que com isso buscam infundir o respeito pelos animais e pela vida, declarou à EFE outro franciscano que cuida do cachorro, Jorge Fernández.

"Queremos transmitir o respeito à vida, à natureza, aos animais. Deus criou tudo isso e merece seu devido respeito, amor e cuidado", acrescentou Fernández.

Trata-se, além disso, de uma forma de refletir o amor que São Francisco de Assis, fundador da ordem dos franciscanos, tinha por todos os animais, aos quais tratava como seus amigos, como fazem os religiosos de Cochabamba com Frei Carmelo.

Foi precisamente por esse imenso amor que São Francisco professava à fauna que, em 1929, a Organização Mundial de Proteção Animal resolveu declarar 4 de outubro o Dia Mundial dos Animais, em coincidência com a festividade do santo de Assis.

Como todo bom Schnauzer, "Frei Bigotón" é amigável e inteligente, mas também é inquieto, brincalhão e se diverte sem culpa no convento.

O cachorro tem um lugar especial para dormir e também conta com um espaço próprio na sala onde tomam café da manhã os 18 irmãos que vivem no convento, aos quais costuma acompanhar nas atividades que desenvolvem no jardim.

Mas Frei Carmelo está proibido de entrar na sala de oração e quando está sozinho gosta de ir à sala de carpintaria para brincar com alguns pedaços de madeira.

Enquanto alguns ficaram fascinados com "Frei Bigotón" e com o fato de os franciscanos tratarem o animal com tanto carinho, não faltou quem criticasse os religiosos por tê-lo vestido com o hábito, por considerar que é uma falta de respeito.

"Não quisemos prejudicar a integridade de ninguém e pedimos desculpas se alguém se sentiu ofendido com esta situação, mas sempre houve uma intenção saudável", garantiu Fernández. / EFE

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