Frei conta como está a situação na Basílica da Natividade

Confinados há dez dias no interior do convento da Ordem Franciscana de Belém, 30 religiosos, entre freis e freiras, já estão sendo forçados a se alimentar pouco e a controlar como podem o consumo de água mineral. Desde que os milicianos palestinos se refugiaram no Complexo da Natividade, ninguém consegue sair nem entrar para repor as provisões dos religiosos e dos palestinos, disse hoje, por telefone, à Agência Estado, o frei mexicano Nicolás Márquez, de 36 anos, reponsável pelo seminário de filosofia do convento e que tem atuado como porta-voz do grupo.Soldados israelenses cercam a área. "Nossas reservas são pouquíssimas. Estamos racionando ao máximo. Temos pouca comida e pouca água", disse Márquez. "Não sei dizer quanto tempo durará o que temos aqui."Os fraciscanos estão na parte superior do convento, localizado na ala norte do complexo. Na parte de baixo do prédio, estão os milicianos palestinos - muitos deles armados.Segundo Márquez, os palestinos estão dipersados por toda a parte térrea do complexo, desde a ala norte, passando pela Basílica (onde fica a pequena gruta onde Jesus teria nascido) até a ala sul, onde estão os conventos dos gregos e dos armênios ortodoxos. Ali há entre 10 ou 12 pessoas, segundo Márquez. Entre os franciscanos, está o frei brasileiro Antonio Marcos Koneski, há sete meses no convento.O número estimado de palestinos refugiados no prédio é de 150 a 200. Márquez disse que os religiosos evitam descer com medo de se tornarem vítimas acidentais da eventual eclosão de um confronto armado entre israelenses e palestinos dentro do complexo. Somente um dos franciscanos tem mantido um contato regular com os palestinos para tratar de questões internas do prédio.Márquez diz que todos os dias se ouvem disparos. Hoje, um religioso libanês do convento dos armênios foi baleado e ferido. No dia anterior, um miliciano palestino foi morto ao tentar apagar o fogo que atingia uma das partes do complexo. O corpo do homem continua em algum lugar do prédio, que Márquez afirma desconhecer. "Estamos vivendo sob uma grande pressão", disse. "A energia elétrica foi cortada. Não há TV. Não podemos nos aproximar das janelas porque há uns quatro dias um religioso quase foi atingido por uma bala."Segundo o relato ouvido por Márquez, a parte térrea do convento contém marcas de balas. Os palestinos amontoados no convento franciscano dormem no chão. Márquez diz que parte das reservas de comida e água foi partilhada com eles. "Mas não podemos fazer milagre de multiplicar o pão", disse. "Espero que as negociações entre o Vaticano, palestinos israelenses, União Européia e Estados Unidos avancem e que prevaleça a razão sobre a violência. Ambas as partes estão sofrendo", afirmou.

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