AFP PHOTO / MARVIN RECINOS
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Secretário-geral da OEA é expulso de seu partido no Uruguai por divergências sobre Venezuela

Luis Almagro, diplomata de carreira que foi chanceler durante o governo de José Mujica, é um dos críticos mais amargos do regime de Nicolás Maduro

O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2018 | 19h18

MONTEVIDÉU - O esquerdista Frente Ampla, partido que governa o Uruguai desde 2005, decidiu neste sábado, 15, expulsar o atual secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), o uruguaio Luis Almagro, da legenda após sérias divergências sobre suas críticas à Venezuela.

Além disso, o plenário da Frente Ampla, o órgão máximo desta coalizão de partidos que inclui socialistas e comunistas em convivência com setores econômicos ortodoxos, desqualificou das próximas eleições nacionais o ex-vice-presidente Raul Sendic, que renunciou no ano passado, em meio a um escândalo. 

Almagro, diplomata de carreira que foi chanceler durante o governo de José Mujica (2010-2015) e chegou à OEA com o apoio do prestígio regional e internacional que o presidente uruguaio conquistou, é um dos críticos mais amargos do regime de Nicolás Maduro na Venezuela.

Há uma semana, Almagro, que buscará um novo período à frente da OEA, também lançou uma ofensiva contra o governo de Cuba, "a mais antiga ditadura" da América, acusando-a de "crimes contra a humanidade" e de exportar "violência" para a Venezuela e Nicarágua.

Nos últimos anos, as denúncias constantes de Almagro sobre a situação humanitária e política na Venezuela corroeram o relacionamento com seus ex-parceiros partidários, e até mesmo com o ex-presidente Mujica.

A decisão da Frente Ampla, publicada em sua página na internet, foi de "expulsar o senhor Luis Almagro dos registros dos aderentes da Frente Ampla", sem dar mais detalhes.

No caso de Sendic, julgado pela Justiça por peculato e abuso de poder, a coalizão decidiu "suspender" seus direitos como aderente da Frente Ampla ao ex-vice-presidente "por um período de 17 meses, até o fechamento do processo eleitoral, em maio de 2020".

Sendic não pode, portanto, ser candidato nas eleições de 2019 pela Frente Ampla. / AFP

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