Frio acirra disputa por energia na Europa

Enquanto Alemanha reativa usinas nucleares por 'precaução', países em situação emergencial criticam dependência do gás fornecido pela Rússia

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2012 | 03h07

O frio que provocou mais de 500 mortes na Europa nos últimos dez dias obrigou governos a rever suas políticas energéticas e reabriu disputas diplomáticas entre países. Berlim decidiu ontem religar oito usinas nucleares, depois de a chanceler Angela Merkel ter anunciado no ano passado que a Alemanha estava abandonando a energia atômica.

Sem a matriz nuclear em total operação, empresas alemãs de energia alertaram que poderiam ter problemas. Segundo uma das operadoras, a Tennet, as usinas foram acionadas como prevenção.

A Alemanha decidiu abandonar a energia nuclear até 2022. Oito das 17 usinas haviam sido fechadas e as demais seriam desligadas entre 2015 e 2022. A reativação provisória fez os defensores da energia atômica retomarem o argumento de que a Europa não tem uma alternativa viável para substituir as usinas nucleares. Entidades como o Greenpeace consideraram a atitude de Merkel uma "traição" e um sinal de fraqueza diante do lobby da indústria nuclear.

O frio fez o consumo de energia bater recordes em países como França, Espanha e Suíça. Na Bulgária, mais de 130 cidades ficaram sem energia nesta semana e o Exército foi escalado para distribuir alimentos. Na Sérvia, mais de 70 mil pessoas estão isoladas e o governo diz que o preço de energia vai disparar. Na bolsa de Londres, o barril de petróleo registrou ontem seu oitavo dia de alta, a maior sequência em três anos. A tensão no Oriente Médio e a decisão da Europa de impor sanções ao Irã no setor de energia contribuíram para que diplomatas de Bruxelas buscassem outros fornecedores.

Dependência. O frio ainda evidenciou mais uma vez a dependência europeia em relação ao gás da Rússia. No início da semana, a empresa russa Gazprom anunciou que havia reduzido em um terço o envio de gás para a Europa, já que precisaria atender sua própria população. A crise chegou até a mesa do primeiro-ministro Vladimir Putin, que pediu que a Gazprom fizesse o necessário para atender os parceiros europeus, mas sem aumentar a exportação.

Em Bruxelas, diplomatas ironizaram as declarações de Putin, que estaria apenas dando uma demonstração de quanto a Europa é dependente dele. Um dos países mais afetados tem sido a Itália, que diz ter recebido 12% menos gás da Rússia. A Organização Meteorológica Mundial alertou ontem que o frio extremo pode castigar a Europa até o final de fevereiro.

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