Frio deixa pelo menos 50 mortos na América do Sul

Pelo menos 50 pessoas morreram nos últimos dias, em diferentes países da América do Sul, devido à onda de frio que atinge o subcontinente e tem prejudicado os setores agrícola e pecuário, além de causar fenômenos meteorológicos incomuns em algumas regiões.

AE, Agência Estado

20 de julho de 2010 | 18h42

Na Argentina, pelo menos 14 pessoas morreram desde a semana passada por causas diretas ou indiretas às baixas temperaturas que são registradas em boa parte do país. A polícia local informou hoje a morte de um homem e uma mulher na cidade costeira de Mar del Plata.

No país, outra dezena de pessoas, várias delas sem-teto, morreram nos últimos dias por causa do frio. Temperaturas de até -14ºC foram registradas no sul e no centro do país, enquanto no norte os índices variaram entre 0ºC e -3ºC.

O intenso frio começou a dar trégua ontem, mas o serviço das companhias aéreas ainda não está normalizado em Buenos Aires, já que muitas cidades para onde os voos seguem estão com a infraestrutura afetada pela neve.

Paraguai

No Paraguai, onde se espera mais frio durante os próximos dias, oito pessoas morreram por hipotermia. Um nona pessoa morreu intoxicada com monóxido de carbono, já que queimava carvão vegetal para se aquecer. Além disso, 600 cabeças de gado morreram nas fazendas do norte, segundo as autoridades do país.

No Chile, durante o início da onda de frio, há duas semanas, duas pessoas morreram - uma por hipotermia e outra que incendiou a casa ao tentar acender a lareira. O frio intenso causou situações inéditas, como uma tromba d''água no povoado de Tirúa e uma tempestade em Calama, cidade do deserto chileno, onde as temperaturas chegaram a -8ºC.

As nevascas isolaram algumas cidades e causaram cortes de energia em alguns locais da província de Ausén. Em Santiago, o estádio Victor Jara serviu de abrigo para centenas de sem-teto. Plantações foram perdidas e estima-se que 100 mil cabeças de gado estão ameaçadas.

No Uruguai, morreram duas pessoas na semana passada por hipotermia. As temperaturas chegaram a até -5ºC durante a última semana.

Bolívia

Na Bolívia, onde não foram fornecidos dados oficiais, estima-se que há entre 18 e 21 mortos. Ontem foi registrada uma nevasca na região do Chaco, ao sudeste de La Paz, uma zona tradicionalmente quente. No mesmo dia, a cidade de Tarija amanheceu sob neve e com temperaturas de até -9ºC.

Pescadores da província amazônica de Beni se queixaram da morte de peixes de água doce. Antes das tempestades, várias regiões do país haviam se lamentado da seca e agora sofrem com os efeitos do frio intenso sobre as plantações.

Segundo o Ministério de Hidrocarbonetos, a demanda de gás alcançou o nível máximo de produção de 42 milhões de metros cúbicos por dia. A Bolívia destina a maior parte de sua produção para o mercado local, para o Brasil e à Argentina, que elevaram seus pedidos devido ao frio.

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