AP Photo/Teresa Crawford
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Frio polar no Meio Oeste americano deixa pelo menos seis mortos

Baixas temperaturas são ainda agravadas pelo vento, o que reduz ainda mais a sensação térmica, que pode chegar a 50 graus abaixo de zero

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de janeiro de 2019 | 19h24

CHICAGO - A tempestade de frio extremo que já causou a morte de pelo menos seis pessoas nesta semana nos Estados Unidos trouxe nesta quarta-feira, 30, temperaturas similares às do Polo Norte na região do Meio Oeste do país. Em cidades como Duluth, em Minnesota, a sensação térmica chegou aos 50 graus abaixo de zero.

A onda de frio que começou ontem e se prolongará nos próximos dias paralisou as principais cidades da região, que registraram temperaturas mínimas de 29 graus negativos, como Chicago, onde vivem 2,7 milhões de pessoas. As baixas temperaturas são ainda agravadas pelo vento, que reduz a sensação térmica até os 46 abaixo de zero na terceira cidade mais populosa dos EUA.

O governador de Illinois, J.B. Pritzker, declarou estado de emergência devido à séria “ameaça à saúde” que representavam essas que são “temperaturas potencialmente históricas”.

As temperaturas devem subir um pouco antes de cair novamente na manhã desta quinta-feira (hora local). “Por favor, evitem sair de casa”, alertou o prefeito de Chicago, Rahm Emanuel. “Se decidir sair, coloque muitas camadas de roupas. Cubra nariz e boca para proteger seus pulmões do frio.”

Algumas regiões do Estado registraram temperaturas inferiores às de áreas do Alasca. No Aeroporto Internacional de O’Hare, a sensação térmica era de 46 graus abaixo de zero.

Nesse aeroporto, foram cancelados ontem 1.325 voos, enquanto no de Midway o número era de 326, segundo dados do Departamento de Aviação de Chicago, cidade apontada como o epicentro dessa onda de frio, que pode provocar congelamento quase instantâneo.

O serviço de correios e a circulação em várias linhas ferroviárias também tiveram de ser suspensos devido ao frio intenso.

Ainda no Estado de Illinois, a polícia da cidade de Westchester pediu em tom irônico aos criminosos da cidade que permanecessem em casa porque estava “frio demais para cometer crimes”.

Assim como Chicago, outras cidades pediram para que as pessoas ficassem em casa: Fargo, em Dakota do Norte, cancelou seu anual Winter Frostival. “Eu chamo esse frio de o frio de O Dia Depois de Amanhã”, disse Katrina Portis, que tentava caminhar pelas calçadas cobertas de neve em Minneapolis, em referência ao filme do diretor Roland Emmerich:


Mesmo alguns moradores do Meio Oeste já acostumados com frios intensos foram pegos de surpresa. Brian Wallheimer, um escritor da Purdue University, fechou os três filhos pequenos em casa, em Rockford, Illinois, depois que as escolas cancelaram as aulas. Ele explicou que o ar congelante se infiltrou nos dois andares de sua casa, em Chicago, e o gelo acumulou-se nos peitoris das janelas e dobradiças das portas. “Eu nunca vi isso acontecer”, disse Wallheimer, que planejava fazer barreira de cobertores térmicos no porão da casa. 

Mortes

Um homem de 70 anos foi encontrado ontem congelado em Detroit, informou a polícia local, que não quis confirmar se o frio na cidade, que fica no Estado de Michigan, com sensação térmica de aproximadamente 30 graus negativos, foi a causa da morte.

O caso se soma ao de outro homem que morreu no fim de semana em Minnesota após não conseguir entrar em sua casa por ter perdido as chaves. Outras três pessoas foram vítimas de acidentes de trânsito provocados pelas condições meteorológicas e o de um morador  de Milwaukee que teve um colapso quando limpava neve. / EFE, W. POST e NYT 

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