Scott Olson/Getty Images/AFP
Scott Olson/Getty Images/AFP

Ondas de frio que já mataram 20 nos EUA mudam rotina de americanos

Moradores são aconselhados a evitar respiração profunda e passar pouco tempo fora de casa em meio às ondas de frio que atingem o país

Beatriz Bulla / Correspondente, Washington, O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2019 | 21h03

Para um país habituado a temperaturas negativas no inverno, parecia exagero quando o serviço de meteorologia dos EUA começou a avisar moradores do Meio-Oeste a evitar respiração profunda e minimizar conversas na rua em razão do frio. As ondas de frio que atingem o país desde terça-feira já deixaram pelo menos 20 mortos – a maioria por hipotermia

Dez minutos de exposição ao frio que chegou a -30ºC no norte do país podem ser fatais. Chicago, onde a sensação térmica é mais fria do que partes do Alasca, virou um deserto de gelo. Emily Yao, de 32 anos, diz que este é o inverno mais frio que já enfrentou na cidade. O que mudou na rotina dela? “Tudo”, Emily responde. “Estou trabalhando de casa. O resto, suspendi.” 

Novos hábitos

Mas se engana quem pensar que para evitar os problemas do frio basta usar as roupas adequadas ou se manter em casa, com a calefação ligada. Segundo relatos dos Estados de Illinois, Wisconsin e Michigan, mesmo as janelas preparadas para o inverno não suportam a manutenção da temperatura quente. 

“Tive de prestar atenção em coisas que não faço normalmente”, afirma Emily. “Uma delas é garantir sempre um pouco de água correndo na pia para evitar o congelamento da tubulação.”

Os termômetros em Chicago chegaram a marcar -29ºC nesta semana, batendo o recorde de -27ºC de 1985. Em Washington, a mínima chegou a 14ºC negativos, ameno perto do que cidades do norte enfrentam. Mesmo assim, escolas passaram a funcionar com horário reduzido, encerrando as atividades mais cedo. Por isso, os trabalhadores também diminuíram a jornada de trabalho. 

O brasileiro Gustavo Cunha se mudou para Chicago no último dia 10. Para sair de casa na quarta-feira, ele vestiu três calças, três jaquetas e a bota impermeável para conseguir chegar às aulas do curso de administração. Lá, Cunha descobriu que as aulas haviam sido suspensas. 

“A cidade estava morta. Museus, escolas, órgãos do governo fecharam”, diz. A emissão de sua carteira de habilitação também vai ter que esperar. “O que achei mais inusitado é encontrar o sol lá fora, apesar de estar com sensação térmica de -36ºC”, conta Cunha, que é do Acre, mas morava em São Paulo. 

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