Frustração pelas promessas não cumpridas

Análise: Fadil Aliriza / Foreign Policy

É CORRESPONDENTE EM TÚNIS, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2013 | 02h04

Na noite de terça-feira, Chokri Belaid, foi à TV tunisiana para denunciar ameaças contra ele, seu partido e outros grupos da oposição. Na manhã seguinte, Belaid foi assassinado com tiros na cabeça e no peito quando saía de casa. Nas horas seguintes, houve vários relatos de choques entre a polícia e os manifestantes. As repercussões políticas do crime foram imediatas. Belaid era um líder da esquerda e advogado. Defendeu membros da oposição durante o regime de Zine al-Abidine Ben Ali.

Até o momento, não se sabe quem foi o mandante do crime. Mas o que está perfeitamente claro é que a violência política na Tunísia se intensifica. O país pioneiro da Primavera Árabe tem sido palco da revolta em razão da frustração pelo não cumprimento das promessas da revolução. Neste ambiente caótico, as acusações contra islamistas ou figuras do antigo regime - dependendo da visão política da fonte - são comuns.

O assassinato de Belaid não foi o primeiro ato de violência de grande destaque na Tunísia. Abdelfattah Mourou, um vice-presidente considerado moderado do partido Ennahda foi agredido por muçulmanos ultraconservadores pelo menos duas vezes. Membros do maior sindicato do país, o UGTT, foram atacados por partidários do Ennahda pertencentes a uma facção chamada Comitê de Proteção da Revolução. Também têm sido numerosas as agressões a artistas e jornalistas, supostamente por islamistas violentos. Ao mesmo tempo, dezenas de santuários históricos em todo o país foram incendiados - e alguns acusam os salafistas por esses atos criminosos.

Ao mesmo tempo, não se sabe até que ponto o governo controla as forças de segurança. O ministro do Interior, Ali Laareyedh, um membro do Ennahda que também foi preso e torturado no edifício onde agora trabalha, aparentemente não conseguiu ou não quis limpar a casa. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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