Fugitivo chinês admite ligação com líder comunista

O fugitivo mais procurado da China, Lai Changxing, admitiu que tinha "relações estreitas" com Jia Qingling, o quarto homem da hierarquia comunista e um dos alvos, segundo os analistas, do expurgo da velha-guarda promovido pelo presidente Hu Jintao. Segundo o jornal "South China Morning Post", Lai disse que se reuniu várias vezes com Jia, que ofereceu "bons presentes". Responsável pelo caso de contrabando mais famoso da China, o criminoso fugiu para o Canadá em 1999. Ele acrescentou que ajudaria nas investigações sobre corrupção, sob certas condições, fornecendo "pistas" que "derrubariam vários altos funcionários". "Quando eu abrir a boca, serão obrigados a deixar seus cargos", disse, numa entrevista à revista "Yazhou Zhoukan", de Hong Kong. A China já pediu ao Canadá a extradição de Lai. O processo foi suspenso porque os tribunais canadenses analisam as argumentações do fugitivo. Ele afirma que, na China, será condenado à morte. Até agora, Lai se negava a falar sobre seus contatos com funcionários do Governo. Jia, presidente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, principal órgão de assessoria do Governo, trabalhou em Fujian entre 1985 e 1996, época na qual Lai "estava mais ativo" na cidade, lembra o "South China". O país vive atualmente o seu maior escândalo político em muitos anos, envolvendo o fundo de pensões de Xangai. Muitos analistas políticos prevêem que Jia será afetado.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.