''Fui sequestrado e agredido por militares hondurenhos''

O embaixador venezuelano em Tegucigalpa, Armando José Laguna Laguna, quase se transformou no domingo no pivô de uma guerra entre Honduras e Venezuela. Ele disse ontem ao Estado, por telefone, que foi agredido por militares encapuzados na noite do golpe, quando visitava a chanceler de Honduras, Patricia Rodas. Os militares teriam entrado na casa de Patricia, detido a ministra e a colocado em um carro. Em seguida, ela foi levada ao aeroporto da capital e obrigada a embarcar, primeiro para o México, depois para a Nicarágua. Ao reagir, Laguna foi imobilizado pelos militares, o que quase deflagrou um conflito. "Estamos entrando em estado de guerra", respondeu o presidente venezuelano, Hugo Chávez, em Caracas, ao saber da agressão. Chávez ameaçou responder militarmente a qualquer ato contra sua embaixada em Honduras.O sr. foi detido ou agredido na noite do golpe?Eu havia ido à casa da chanceler, Patricia Rodas, prestar minha solidariedade, quando a casa foi tomada por um grupo de militares encapuzados. Nós todos fomos sequestrados e agredidos. Sofremos uma enorme brutalidade.Que tipo de agressões?Fui empurrado várias vezes quando tentava impedir que os militares tomassem a chanceler à força e a obrigassem a entrar em uma caminhonete. Eles também me imobilizaram com as mãos para trás, torceram meus braços. Isso vai contra qualquer norma básica dos direitos humanos e contra a Convenção de Viena (conjunto de normas que regula a relação diplomática entre os países).Onde o sr. está agora?Em casa, com a minha família. Eles cortaram minha luz, internet e canais internacionais de televisão. Não consigo ver nem a CNN nem a Telesur.Chávez ameaçou agir militarmente contra qualquer agressão à Embaixada da Venezuela em Tegucigalpa. Isso inclui o pessoal diplomático?Penso que o presidente fará o necessário para garantir a segurança de todos os venezuelanos, estejam eles onde estiverem. Dizer mais do que isso seria entrar em especulações perigosas.

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