Luka Gonzales/AFP Photo
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Ex-presidente peruano Fujimori deixa clínica após polêmico indulto

Ex-líder saiu acompanhado do filho mais novo, o legislador Kenji Fujimori, e se dirigiu a bairro de alto padrão de Lima; horas antes, centenas de seguidores foram à casa do atual presidente para agradecer-lhe pelo perdão concedido ao ex-mandatário

O Estado de S.Paulo

05 Janeiro 2018 | 02h22
Atualizado 01 Fevereiro 2018 | 11h54

LIMA - O ex-presidente do Peru Alberto Fujimori deixou na madrugada desta sexta-feira, 5, a clínica em Lima onde esteve internado durante 12 dias por problemas cardíacos, após o polêmico indulto concedido pelo atual mandatário, Pedro Pablo Kuczynski.

Fujimori pede perdão pelos atos de seu governo após receber indulto

Fujimori, de 79 anos, saiu em cadeira de rodas à 0h40 (horário de Brasília) e foi saudado por um grupo de partidários reunidos diante da Clínica Centenário. O ex-presidente partiu em uma SUV preta acompanhado por seu filho mais novo, o deputado Kenji Fujimori.

Quase uma hora depois, o carro com o ex-presidente chegou a um condomínio em La Molina, bairro de alto padrão do leste de Lima. Fumijori parecia cansado, mas estava tranquilo, contrastando com a euforia de Kenji.

"Ele está tranquilo, não é uma pessoa que exagera suas emoções, sabe que precisa se cuidar, que tem um problema cardíaco severo", revelou Alejandro Aguinaga, médico particular do ex-presidente. 

No Twitter, Kenji publicou uma foto e um vídeo curto ao lado do pai, dentro do carro que os levava para casa.

Durante sua permanência no centro médico, Fujimori foi submetido a uma série de análises e tratamentos para resolver seus problemas de saúde que justificavam o perdão humanitário.

Fujimori ficará hospedado na casa do empresário Aldo Kruger, filho de Germán Kruger, que pagou pela casa onde o ex-presidente esteve sob prisão domiciliar por quase dois anos no Chile, informou uma pessoa ligada ao político.

Fujimori, que sofreu uma hipotensão e uma arritmia e foi transferido da prisão para a clínica no dia 23 de dezembro, cumpria pena de 25 anos por corrupção e crimes contra a humanidade durante o seu governo. Um dia após a internação, Kuczynski concedeu um polêmico indulto humanitário ao ex-presidente.

Indulto a Fujimori gera onda de demissões no Congresso e no Executivo

Segundo seus críticos, Kuczynski assinou o indulto em troca do apoio da oposição ligada a Fujimori para escapar do impeachment por seu envolvimento no escândalo Odebrecht. Na votação no Congresso, no dia 21 de dezembro, Kenji Fujimori e outros nove legisladores fujimoristas se abstiveram.

O indulto ao ex-governante causou uma divisão dentro do partido fujimorista Força Popular, dirigido pela sua filha Keiko Fujimori, pois em um comunicado, seu Comitê Executivo Nacional expressou na quinta-feira sua saudação à liberdade do seu fundador, embora discordasse da "maneira pela qual conseguiu".

Keiko vinha tentando que seu pai recuperasse a liberdade nos tribunais, enquanto que o seu irmão caçula, Kenji, defendeu sempre a opção de um indulto humanitário.

Horas antes da saída de Fujimori da clínica, uma centena de seguidores do ex-presidente foram para a casa de Kuczynski, agradecendo pelo indulto humanitário dado a Fujimori, na véspera do Natal.

Os manifestantes vestiam camisetas brancas com a inscrição "Fujimori Libertad" e levavam bandeiras e cartazes onde agradeceram a "PPK", como é conhecido o presidente. Uma vez nas imediações da casa do governante, os manifestantes lançaram pombas brancas e afirmaram que "se fez justiça com o melhor presidente do Peru".  / AFP, EFE e REUTERS

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