Fujimori mandou capturar García "vivo ou morto" em 1992

O ex-governante peruano Alberto Fujimori (1990-2000) mandou capturar "vivo ou morto" o atual presidente, Alan García, após o "autogolpe" de 5 de abril de 1992, no qual fechou o Congresso e o Poder Judiciário, disse nesta sexta-feira a ex-mulher e mãe dos quatro filhos de Fujimori, Susana Higuchi.Higuchi depôs como testemunha no julgamento de Fujimori e de mais de 10 ex-ministros peruanos na Corte Suprema. Eles são julgados pelo golpe do então chefe de Estado, que está no Chile desde 7 de novembro.A ex-mulher de Fujimori disse que estava atrás de uma porta e ouviu Fujimori dar instruções claras ao ex-assessor de Inteligência Vladimiro Montesinos e a um coronel, conhecido pelo sobrenome Pinto. A ordem era para deter "vivo ou morto" García, que assumiu pela segunda vez a Presidência em 28 de julho deste ano.Além disso, Higuchi informou que dias antes do golpe, o então ministro das Relações Exteriores, Augusto Blacker Miller, sugeriu a Fujimori uma "virada de mesa". Ele argumentava que o país vivia uma situação política instável, afetada pelo terrorismo do grupo subversivo Sendero Luminoso.A ex-mulher, que se separou de Fujimori no meio de seu governo após uma série de brigas, comentou que se sentiu "seqüestrada" durante o tempo que passou no extinto Serviço de Inteligência Nacional por ordens de seu ex-marido.Em 5 de abril de 1992, Fujimori dissolveu o Legislativo e o Judiciário, assim como o Tribunal de Garantias Constitucionais, e assumiu todos os poderes, com apoio dos militares.O Ministério Público acusa Fujimori de crime contra os poderes do Estado e a ordem constitucional na modalidade de rebelião.

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