Fukushima despeja 1.130 toneladas de água tóxica no mar

Passagem de tufão no Japão poderia aumentar volume de água contaminada da usina

O Estado de S. Paulo,

17 de setembro de 2013 | 18h43

TÓQUIO - A empresa Tokyo Electric Power Co (Tepco), operadora da usina nuclear de Fukushima, despejou no mar 1.130 toneladas de água radioativa após a passagem do Tufão Man-yi, que atingiu o Japão na segunda-feira 16. No sábado anterior, o ministro Shinzo Abe garantiu ao Comitê Olímpico Internacional (COI) que seu governo iria tomar uma atitude para lidar com a água contaminada que vaza desde o acidente nuclear de 2011.

Segundo o porta-voz da Tepco, Masayuki Ono, só foi despejada água com baixo índice de radioatividade. Devido às fortes chuvas de domingo e segunda, causadas pelo tufão, a água começou a subir em uma área da usina onde estão tanques que armazenam líquidos altamente radioativos.

Para evitar contato com esses locais e com o solo possivelmente contaminado, a Tepco optou por despejar a água no mar. "Tomamos essa decisão porque ao medir os índices de contaminação, chegamos a conclusão que era apenas água de chuva", afirmou Ono.

Foi constatado que o índice de contaminação por estrôncio e outros materiais radioativos era de 24 becquereles, sendo que o limite máximo imposto pelo governo para verter água ao mar é de 30 becquereles por litro.

Segundo a agência AFP, meios de comunicação japoneses criticaram a Tepco por não medir o nível de outros elementos radioativos como o césio 137 e césio 134.

Ameaça. A quantidade de água radioativa aumenta cerca de 400 toneladas por dia na usina de Fukushima. O combustível nuclear dos reatores avariados em 2011 continua a gerar calor, o que requer resfriamento, mas há vazamentos nesse sistema. Além disso, a água subterrânea que desce das montanhas se infiltrou nos reatores, aumentando a quantidade do líquido contaminado para 430 mil toneladas.

Frente esses desafios, no dia 2 de setembro o presidente da autoridade japonesa para regulação nuclear, Shunichi Tanaka, admitiu que "o problema da água contaminada continua sem solução. Não podemos dizer que foi resolvido". No dia seguinte, o governo japonês anunciou um fundo público de 47 bilhões de ienes (US$ 470 bilhões) para reforçar as medidas de contenção da água contaminada.

No encontro com o COI, o primeiro ministro do país disse que os efeitos da água contaminada estão contidos em um raio de 300 metros ao redor do porto onde fica Fukushima. "Eu vou tomar toda a responsabilidade por decidir por um programa para resolver a questão de uma vez por todas", afirmou Shinzo Abe./ NYT e EFE

 
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