Fumante passivo pode ter câncer, diz OMS

A fumaça do cigarro é muito mais cancerígena do que se pensava, tanto para os fumantes como para os fumantes passivos, causando câncer em mais partes do corpo do que previamente noticiado, anunciaram nesta quarta-feira especialistas.Os estudiosos, que realizaram um trabalho para a agência de pesquisa do câncer das Nações Unidas, afirmaram ter concluído que, nos tipos de câncer reconhecidamente causados pela fumaça do cigarro, o risco de se desenvolver a doença é ainda mais alto do que se pensava. Eles também afirmaram ter certeza agora, pela primeira vez, de que fumantes passivos podem desenvolver câncer.A análise, feita para a Agência Internacional para Pesquisa do Câncer (AIPC), um braço da Organização Mundial da Saúde (OMS), é fruto da maior pesquisa já feita sobre estudos acumulados sobre a fumaça de cigarro e câncer desde 1986. Um relatório completo das descobertas será publicado até o final deste ano.Os cientistas combinaram os resultados de mais de 3.000 estudos envolvendo milhões de pessoas, os quais lhes permitiram chegar a conclusões impensáveis em estudos individuais de menor abrangência."Estamos ainda aprendendo sobre os verdadeiros danos causados pelo cigarro", disse o presidente do painel, doutor Jonathan Samet, que é chefe do setor de epidemiologia da Escola de Saúde Pública John Hopkins. "Agora, uma visão completa é mais devastadora do que acreditávamos quando analisávamos as pequenas partes".Há cerca de 1,2 bilhão de fumantes em todo o mundo. Metade deles morrerá prematuramente de câncer, doenças do coração, enfisema e outros males por causa de seu hábito. Segundo os cientistas, a melhor maneira de prevenir tais mortes é fazer com que os fumantes abandonem o cigarro.O painel, formado por 29 dos melhores especialistas no assunto de 12 países diferentes, analisou evidências em vários tipos de câncer, relacionados ou não com o cigarro. Entre outras coisas, a pesquisa descobriu que, em tipos de câncer previamente relacionados ao tabagismo, o risco de se desenvolver a doença por causa do cigarro é ainda maior do que se pensava."Por exemplo, para tumores na bexiga ou nos rins, acreditávamos que o risco de um fumante desenvolvê-los era de três a quatro vezes maior do que para um não-fumante. Agora, parece que este risco se elevou para cinco ou seis vezes", disse o doutor Paul Kleihus, diretor da AIPC.

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