EFE/EPA/KIMIMASA MAYAMA
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Fumio Kishida é eleito primeiro-ministro do Japão

Aos 64 anos, o ex-ministro das Relações Exteriores decidiu, segundo a emissora pública NHK, dissolver o parlamento na próxima semana e convocar uma eleição para 31 de outubro

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de outubro de 2021 | 04h11
Atualizado 04 de outubro de 2021 | 11h30

O ex-ministro das Relações Exteriores Fumio Kishida foi eleito oficialmente como o 100º primeiro-ministro do Japão nesta segunda-feira, 4, após vencer a maioria dos votos nas duas casas do parlamento japonês.

O mais novo premiê decidiu, segundo a emissora pública NHK, dissolver o parlamento na próxima semana e convocar uma eleição para 31 de outubro. A decisão de Kishida foi provavelmente influenciada por não querer repetir um erro cometido por seu antecessor, Yoshihide Suga, que não convocou uma eleição quando seu apoio ainda era forte, disseram analistas.

A expectativa inicial era de que as novas eleições fossem realizadas em novembro, mas Kishida parece ter como objetivo explorar uma queda acentuada no número de infecções por coronavírus e a sua popularidade enquanto novo ocupante do cargo de primeiro-ministro.

Essa é a segunda vez que ele tenta comandar o governo nipônico. O primeiro-ministro anterior, Yoshihide Suga, teve índices de apoio de cerca de 70% logo após assumir o cargo há cerca de um ano, mas foi criticado por como lidou com a pandemia — isto foi o que abriu caminho para um novo rosto liderar o Partido Liberal Democrata (LDP) por meio da eleição.

"Não era suficientemente bom", admitiu Kishida recentemente sobre sua campanha anterior pela presidência do PLD em 2020.

Pouco carismático, Kishida, de 64, tem a imagem de construtor de consenso discreto. Na semana passada, ele deu um passo decisivo ao conquistar a presidência do PLD, (direita conservadora), que domina a vida política japonesa desde 1955. 

"Desta vez foi diferente. Tenho a firme convicção de que sou o líder necessário agora", declarou, ao destacar a pertinência para o momento atual de seu caráter monótono, mas sem conflitos.

As correntes dominantes no PLD consideraram que Kishida era "uma aposta mais segura em termos de estabilidade" que o principal rival, Taro Kono, mais popular entre os militantes, mas "menos influenciável" pelos caciques do partido, explica à AFP Brad Glosserman, analista político e professor da Universidade Tama de Tóquio.

Perfil

Seguindo os passos do pai e do avô, ele é deputado por Hiroshima (oeste do Japão) na Câmara Baixa do Parlamento desde 1993.

Kishida foi ministro das Relações Exteriores durante cinco anos (2012-2017), sob o governo de Shinzo Abe.

Partidário do desarmamento nuclear no mundo, ele trabalhou pela visita de Barack Obama a Hiroshima em 2016, o que representou a primeira vez que um presidente dos Estados Unidos em exercício viajou para esta cidade devastada pela bomba atômica em 1945.

Ao mesmo tempo, ele aposta em reativar a produção de energia nuclear com fins civis no Japão. O uso se tornou restrito no país, devido à catástrofe de Fukushima em 2011. 

Além de retomar a atividade de antigos reatores, ele deseja desenvolver pequenos reatores modulares.

O ex-funcionário do setor bancário também prometeu um novo plano orçamentário para acelerar a recuperação econômica após o impacto da pandemia e para reduzir as desigualdades sociais.

"As pessoas querem uma política de generosidade", afirmou Kishida, que mantém uma posição ambígua na área econômica, pois também defende reduzir a dívida nipônica. Em 2020, ela representava 256% do PIB, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Contrário ao casamento gay 

Nas questões sociais e direitos civis, ele parece mais conservador que Kono, seu grande rival no PLD.

Kishida afirmou que não chegou o momento de "aceitar o casamento entre pessoas do mesmo sexo", que continua ilegal no Japão.

Também mostrou uma opinião pouco clara sobre o direito das pessoas casadas de não usarem o mesmo sobrenome do outro integrante do casal, uma questão polêmica no Japão.

Fã de beisebol, o esporte preferido dos japoneses, é um torcedor do Hiroshima Toyo Carp, clube de seu reduto familiar e político.

Durante a infância, morou com a família em Nova York, onde afirma que foi vítima de racismo na escola. Graças à experiência difícil, afirma que aprendeu o senso de justiça e igualdade.

Para desgosto de seus pais, Kishida fracassou em três tentativas de admissão na Faculdade de Direito da prestigiosa Universidade de Tóquio ("Todai"). Ele estudou Direito em Waseda, outra conhecida universidade da capital.

Fã de beisebol, o esporte preferido dos japoneses, é um torcedor do Hiroshima Toyo Carp, clube de seu reduto familiar e político.

Durante a infância, morou com a família em Nova York, onde afirma que foi vítima de racismo na escola. Graças à experiência difícil, afirma que aprendeu o senso de justiça e igualdade./ AFP e REUTERS

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