Funcionária da <i>CBS</i> é contaminada por antraz

As ações bioterroristas que levaram o Congresso dos Estados Unidos a suspender a maior parte das atividades esta semana e transformaram a grande imprensa do País em frente de batalha da guerra desencadeada no dia 11 de setembro pelos ataques ao World Trade Center e ao Pentágono ampliaram-se hoje com a confirmação de que uma funcionária da rede de televisão CBS foi contaminada pelo germe de uma variedade de antraz. Anteriormente, as autoridades sanitárias e o FBI já haviam confirmado casos de contaminação nas redes NBC e ABC, bem como na editora American Media Inc., da Flórida, onde trabalhava a única vítima fatal, até agora, dos ataques de antraz. Várias redações, incluindo as dos jornais New York Times, Washington Post e Los Angeles Times, receberam cartas pelo correio contendo substâncias suspeitas que revelaram ser trotes. Paralelamente, o FBI confirmou que um funcionário dos correios em Trenton, capital de Nova Jersey, onde foram postadas as cartas enviadas à NBC e ao Senado, foi exposto à bactéria. A exemplo do que aconteceu na NBC, a funcionária da CBS exposta à bactéria é assistente do âncora e editor chefe do principal telejornal da rede, Dan Rather. A emissora não forneceu detalhes sobre como ocorreu a contaminação. A CBS informou que o primeiro sintoma de sua funcionária foi um inchaço das bochechas, no dia 1º de outubro, que foi tratado com penicilina. Três dias depois, ela queixou-se novamente da saúde e foi submetida a testes. Estes deram resultado positivo para um tipo de antraz cutâneo, que é o mais brando das variedades da bactéria. Ela está sendo tratada com Cipro e está fora de perigo. O presidente da unidade de jornalismo da CBS, Andrew Heyward, disse que não sabia de nenhuma carta suspeita que tenha chegado à redação da rede, em Nova York, mas esclareceu que uma das atividades da vítima era cuidar da correspondência. "O padrão (do ataque) parece ser essencialmente idêntico aos de outras organizações de imprensa", disse o epidemiologista Stephen Ostroff, do Centro de Controle de Doenças (CDC). "Aconteceu no final de setembro e o risco de o prédio estar contaminado hoje é negligenciável", ele disse. Dan Rather disse que não havia se submetido ao teste e nem pretendia fazê-lo. "Nosso maior problema hoje não é antraz, mas o medo", afirmou ele. "Aqueles que estão com mais medo são os que estão em maior perigo." Pânico Diante das notícias desencontradas e, em alguns casos erradas dadas por líder do Congresso, na quarta-feira, depois que se confirmaram mais de 30 casos de exposição à bactéria entre assessores legislativos, o novo ministro da Defesa Interna, Tom Ridge, procurou hoje acalmar a população. Ele disse que "milhares e milhares de pessoas foram testadas, com resultados negativos". De fato, apenas seis pessoas tiveram resultados positivos entre as que passaram pelo exame em todo o país. O número total de pessoas expostas ao antraz não chega a 50, incluídos neste número os 31 funcionários do Senado que foram contaminados pelo pó especialmente fino contendo antraz que foi enviado pelo correio ao gabinete do líder na maioria, Tom Daschle. Com milhares de policiais e cientistas empenhados em estabelecer conexões entre os vários casos e encontrar pistas, o FBI ofereceu hoje recompensa de US$ 1 milhão por informações que levem à captura e condenação dos responsáveis pela propagação da bactéria. Leia o especial

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