Funcionário da UE morre durante ataque na Síria

Foi a primeira morte de membro da delegação europeia no país desde o início do levante, que amanhã completa 2 anos

BRUXELAS, O Estado de S.Paulo

14 de março de 2013 | 04h20

A União Europeia (UE) anunciou ontem que um de seus funcionários foi morto em um ataque de foguete nas proximidades de Damasco, em um reduto dos rebeldes que tentam destituir o ditador sírio, Bashar Assad. No mesmo dia, moradores da capital síria e opositores do regime afirmaram que as tropas do governo atacaram os insurgentes no norte da cidade, na tentativa de controlar posições estratégicas.

A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, afirmou que Ahmed Shihadeh, integrante da delegação do bloco na Síria, foi morto em Deraya, subúrbio no sudoeste de Damasco, onde ele vivia. Sírio, de 32 anos, ele trabalhava para os europeus havia cinco anos. Sua morte foi a primeira de um funcionário da UE no levante sírio, que amanhã completa dois anos.

Shihadeh "morreu enquanto provia assistência humanitária para a comunidade de Deraya", disse a chanceler europeia, afirmando que ele "era conhecido por sua coragem e abnegação".

Confrontos. Além dos ataques das forças de Assad, denunciados por moradores e ativistas antigoverno no norte de Damasco, ações atribuídas à insurgência foram relatadas pelo governo sírio, que afirmou, à agência de notícias oficial Sana, que granadas de morteiros explodiram nas proximidades de um orfanato em Al-Boukhtyar, também na capital, matando e ferindo um número desconhecido de pessoas.

Não ficou claro se as mortes ocorreram no orfanato. A TV pró-governo Al-Ekhbariya mostrou imagens aéreas do local dos ataques, com casas e carros em chamas e bombeiros tentando apagar os incêndios. Cidadãos chorando e amaldiçoando os rebeldes também eram exibidos.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos, entidade que representa os insurgentes em Londres, afirmou que um carro-bomba foi detonado diante de uma delegacia no oeste da cidade e intensos confrontos se seguiram à explosão.

Ajuda. O governo americano afirmou ontem que ainda não iniciou o envio de comida e suprimentos médicos aos rebeldes sírios, conforme prometeu no mês passado o secretário de Estado americano, John Kerry, em Roma, quando anunciou mais de US$ 60 milhões em ajuda aos insurgentes.

Ainda ontem, o chanceler russo, Sergei Lavrov, afirmou que fornecer armas aos opositores é ilegal segundo o direito internacional, um dia depois de o governo britânico ter cogitado da possibilidade de burlar o embargo de armamento da UE contra a Síria com essa intenção. / AP e REUTERS

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