Mohamed Abd El Ghany /Reuters
Mohamed Abd El Ghany /Reuters

Funcionário morre em protesto de islamitas no consulado dos EUA na Líbia

No Cairo, manifestantes arrancaram a bandeira norte-americana da embaixada; protesto é contra filme

AE, Agência Estado

11 de setembro de 2012 | 16h14

Texto atualizado às 21h21

CAIRO - Milhares de manifestantes egípcios cercaram a Embaixada dos Estados Unidos no Cairo nesta terça-feira, arrancaram a bandeira dos EUA e a substituíram por uma bandeira islâmica, no aniversário dos atentados de 11 de setembro de 2001 contra Washington e Nova York.

Cerca de 3 mil islamitas ultraconservadores, grande parte do movimento salafista ou torcedores organizados de futebol, iniciaram o protesto contra um filme que disseram ser ofensivo ao profeta Maomé. O filme foi feito por cristãos egípcios que vivem nos EUA. A bandeira negra tem a inscrição em árabe: "Não há Deus além de Alá e Maomé é o profeta de Deus". A polícia egípcia dispersou a multidão sem violência.

Questionada sobre se a bandeira levantada pelos manifestantes significava uma saudação de simpatizantes da rede terrorista Al-Qaeda, no aniversário do atentado que matou 3 mil pessoas em Washington, Nova York e na Pensilvânia em 2001, uma porta-voz do Departamento de Estado disse que não. "O que eu escutei é que a bandeira (dos EUA) foi substituída por uma bandeira negra. Mas talvez eu não esteja certa."

Mulheres vestidas com o niqab, vestido islâmico que cobre o corpo feminino inteiro, gritavam: "Filhos da Cruz, nada existe além do nosso amado Maomé".

Líbia

Um oficial do Ministério das Relações Exteriores da Líbia informou que horas depois dos protestos se intensificarem no Egito, homens armados, no leste da Líbia, também invadiram e atearam fogo ao consulado dos Estados Unidos em Benghazi. Um funcionário norte-americano foi morto e outro ficou ferido.

A multidão também protestava contra o filme. "Um funcionário americano foi morto e outro foi ferido na mão. Os outros funcionários foram retirados do prédio e estão seguros", disse o vice-ministro do Interior da Líbia, Wanis al-Sharif, segundo a agência France Press (AFP). Ele não disse se o homem morto era um diplomata.

Críticas

Ativistas egípcios criticaram a manifestação no Cairo. "Atacar a Embaixada dos EUA no 11 de setembro e levantar bandeiras ligadas à Al-Qaeda é algo que não será compreendido pelo público americano como um protesto contra um filme sobre o profeta", escreveu o ativista Wael Ghoneim. "Ao contrário, os americanos pensarão que é uma comemoração do crime que aconteceu em 11 de setembro de 2001".

Com Dow Jones e AP

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