Funcionário norte-coreano é executado por fracasso político

Chefe da delegação nas conversações com a Coreia do Sul entre 2004 e 2007 é fuzilado pelo regime de Kim Jong-il

AP, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2010 | 00h00

SEUL

A Coreia do Norte executou um ex-funcionário de gabinete encarregado das conversações com a Coreia do Sul, em mais uma sentença de morte de uma autoridade norte-coreana por seu suposto fracasso político.

Kwon Ho-ung, chefe da delegação de Pyongyang nas negociações de alto nível com o então governo liberal da Coreia do Sul, entre 2004 e 2007, foi executado por um pelotão de fuzilamento. A informação foi divulgada pelo jornal popular Dong-a-Ilbo, de Seul, citando uma fonte, não identificada, em Pequim.

A porta-voz do Ministério da Unificação da Coreia do Sul, Lee Jong-joo, não confirmou a notícia, mas acrescentou que o serviço de inteligência sul-coreano estava checando a informação sobre a execução de Kwon.

As duas Coreias mantiveram conversações de alto nível em diversas ocasiões com o objetivo de melhorar suas relações e reduzir as tensões na que é a mais fortificada fronteira do mundo. A última rodada de conversações entre as duas partes ocorreu em 2007.

O funcionário executado foi chefe de gabinete do governo norte-coreano, mas não ficou claro se a política por ele adotada levou à sua execução. Também não foi confirmado quando e onde Kwon foi morto, mas sua execução segue a outras de autoridades norte-coreanas por falhas políticas.

Punições. Em março, dois integrantes do alto escalão norte-coreano ligados à área econômica foram executados por causa de uma reforma monetária malfeita que obrigou os mercados a fechar temporariamente e provocou tensões sociais, segundo a agência de notícias Daily NK, de Seul.

A Coreia do Norte renomeou sua moeda no ano passado, numa tentativa para combater a inflação e reafirmar o controle sobre a sua florescente economia de mercado, o que provocou grandes distúrbios sociais no país, depois que muitos coreanos se viram com pilhas de cédulas sem valor.

A execução de Kwon por fracassos na atividade política não é um fato sem precedentes no regime do ditador norte-coreano Kim Jong-il. Na década de 90 Pyongyang executou publicamente um integrante do alto escalão do governo responsável pela política agrícola por causa da fome generalizada que atingiu toda a Coreia do Norte.

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