Funcionários da Blackwater são acusados de assassinato

Cinco funcionários da Blackwater - empresa americana de segurança que recruta mercenários estrangeiros para combater em conflitos armados - foram acusados formalmente ontem pela morte de 17 civis, em Bagdá, em setembro de 2007. Pelo menos outros 20 civis foram feridos no mesmo incidente, considerado até hoje um grave revés na tentativa de normalização das relações diplomáticas entre o governo do Iraque e dos EUA.Um sexto segurança da empresa, Jeremy P. Ridgeway, havia assumido, na semana passada, a culpa por atacar civis iraquianos "que ofereciam ameaça ao comboio". Ele não revelou entretanto se deporia contra os outros cinco acusados. "Pelo menos 34 civis iraquianos desarmados, incluindo mulheres e crianças, foram mortos ou feridos sem justificativa ou provocação por esses seguranças da Blackwater", disse Patrick Rowan, assistente do procurador-geral para Segurança Nacional. Se condenados, eles cumprirão 10 anos de prisão por cada uma das 17 acusações de homicídio culposo, além de penas cumulativas por outras condenações.A Blackwater - fundada por ex-funcionários das Forças Armadas e do serviço de inteligência americano - é acusada por parlamentares de oposição ao governo Bush de manter no Iraque efetivos maiores do que o próprio Exército dos EUA, lucrando pelo menos US$ 600 milhões de dólares com contratos privilegiados.Todas as empresas de segurança contratadas depois de 2003 para atuar no Iraque têm imunidade diante dos tribunais iraquianos até o fim deste ano, de acordo com um pacto firmado entre os dois países. O processo movido pela Justiça dos EUA contra a Blackwater mostra, entretanto, a disposição de começar a reprimir nas cortes americanas os abusos cometidos por estas empresas no exterior.Em seu livro Blackwater - A Ascensão do Exército Mercenário Mais Poderoso do Mundo, o jornalista americano Jeremy Scahill acusa a empresa de provocar a ira não só de civis e autoridades iraquianas, como também dos próprios comandantes militares americanos. Segundo Scahill, a missão de "conquistar corações e mentes" tem sido dificultada pelas execuções e atos de violência arbitrária cometidos por mercenários que, muitas vezes, são melhor remunerados que os soldados das forças regulares dos EUA.

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