AFP / PIERRE ANDRIEU
AFP / PIERRE ANDRIEU

Funcionários da Médicos Sem Fronteiras abusaram de garotas na África, diz BBC

Fontes relataram que homens experientes dentro da organização usaram seu poder para contratar prostitutas; MSF afirma que está investigando

O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2018 | 16h40

LONDRES - Trabalhadores humanitários da Médicos Sem Fronteiras (MSF) contrataram jovens prostitutas durante missões na África, relataram funcionários da organização à emissora britânica BBC.

A MSF afirmou que leva as acusações seriamente, mas não tem condições de confirmá-las e está analisando o caso. O grupo também pediu que as pessoas que tenham denúncias sobre a atuação dos funcionários procurem a organização e reportem as questões por mecanismos de confidencialidade. "Não toleramos abusos, assédio ou exploração dentro da MSF", ressaltou a organização.

"Temos mecanismos de denúncia para coletar reclamações, mas sabemos que temos que fazer mais para garantir que eles sejam conhecidos, confiáveis e utilizados", disse o grupo.

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Segundo a BBC, as acusações apontam para responsáveis por logística da MSF no Quênia, Libéria e África Central. Não há enfermeiros ou médicos envolvidos nos casos. De acordo com uma ex-funcionária, que trabalhava com pacientes com AIDS na África Central, a prática era recorrente.

"Eu tinha um colega mais velho, que colocou uma mulher na base [de atendimento]. Estava claro que ela era uma prostituta, mas ele a chamava de namorada, e ela passava noite após noite com ele." Segundo ela, o funcionário tinha cerca de 50 anos e a mulher era muito mais jovem. Ela falou sob a condição de anonimato.

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Outra fonte relatou ter visto um integrante experiente da equipe, alocado no Quênia, levando garotas para os abrigos da MSF. "As garotas eram muito jovens e o boato era de que eram prostituas", disse.

Alguns funcionários humanitários mais experientes aproveitaram sua posição de poder para chegar às jovens. "Sem dúvida, houve abuso de poder. Eles estavam ali fazia tempo, se aproveitavam da figura de trabalhador humanitário ocidental. Talvez a gestão não estivesse ciente, mas dava para sentir claramente que alguns homens se comportavam como predadores e eram muito importantes para sair (da MSF)."

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Uma terceira fonte, que fez a denúncia, contou que um de seus colegas se gabava porque poderia fazer sexo em troca de remédios com jovens que haviam perdido seus pais durante a epidemia de Ebola na Libéria. "Ele dizia 'Ah, é muito fácil. Está muito fácil trocar medicamentos com essas garotas fáceis da Libéria'", relatou a fonte. "Ele estava sugerindo que muitas jovens que perderam seus parentes para a epidemia de Ebola fariam qualquer favor sexual em troca de remédios", acrescentou.

As acusações se juntam ao escândalo de 2010, quando surgiram revelações de que funcionários da ONG britânica Oxfam cometeram abuso sexual depois do terremoto que devastou o Haiti. / AFP

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