Funcionários públicos entram em greve no Egito

Milhares de funcionários públicos iniciaram uma greve hoje em repartições e empresas estatais no Egito, enquanto manifestantes da oposição fazem um esforço para ampliar os protestos contra o presidente Hosni Mubarak. Na região do Novo Vale, no sul do país, a polícia entrou em choque com manifestantes pelo segundo dia seguido. Pelo menos três pessoas foram mortas e 100 ficaram feridas, informou uma autoridade à agência France Presse.

AE, Agência Estado

09 de fevereiro de 2011 | 16h27

Os esforços do vice-presidente Omar Suleiman para dialogar com parte do oposição fracassaram. Na noite de ontem, Suleiman teve uma reunião com diretores de jornais egípcios e advertiu que poderia ocorrer um "golpe" no país se os manifestantes continuarem a negar uma negociação. Ele insinuou que o Egito não está preparado para a democracia e afirmou que uma comissão integrada por juízes, a maioria indicados por Mubarak, apresentará um projeto de reforma constitucional, que será submetido a referendo.

Além das manifestações de hoje, a oposição também respondeu verbalmente a Suleiman. Em coletiva de imprensa, no qual foram discutidos vários assuntos, a Irmandade Muçulmana, maior grupo da oposição, definiu como um "monólogo", o diálogo de Suleiman com a própria Irmandade e alguns grupos opositores.

Líderes jovens que emergiram com o levante popular foram mais críticos que a Irmandade. "Ele (Suleiman) ameaça impor a lei marcial, o que significa esmagar todos na praça", disse Abdul-Rahman Samir, porta-voz da coalizão dos cinco principais grupos de jovens que organizam os protestos na praça Tahrir (Libertação) no centro do Cairo. Samir afirma que Suleiman "está gerando uma situação desastrosa" no Egito. "Estamos em greve, vamos protestar e só negociaremos quando Mubarak renunciar. Quem quiser partir para as ameaças, pode começar", afirmou.

Na província meridional de Assuã, 8 mil manifestantes bloquearam a principal rodovia que liga a região ao Cairo e também uma ferrovia. Quando o governador foi falar com os manifestantes, teve o carro oficial apedrejado. Já na cidade de Port Said, no Canal de Suez, moradores de uma favela incendiaram partes do prédio da prefeitura e pediram moradias dignas. No Cairo, empregados da estatal de eletricidade cercaram o prédio da empresa para exigir a renúncia do diretor. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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