AP Photo/Thanassis Stavrakis
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Funcionários públicos terão de devolver salários na Turquia 

Ainda hoje, o governo decidiu criar uma nova diretriz para libertar condicionalmente 38 mil presos para abrir espaço nas saturadas prisões do país para os mais de 20 mil detidos acusados de envolvimento na tentativa de golde de Estado 

O Estado de S. Paulo

17 Agosto 2016 | 17h26

ANCARA - Cerca de 13 mil funcionários públicos da Turquia terão de devolver seus salários dos últimos seis anos por terem chegado a seus cargos com ajuda de uma operação supostamente manipulada por simpatizantes do clérigo islamita Fethullah Gullen, acusado pelo governo turco de estar por trás do fracassado golpe de Estado de 15 de julho.

Segundo informou nesta quarta-feira, 17, o jornal opositor Cumhuriyet, os seguidores de Gulen teriam recebido de antemão as perguntas e respostas de um exame realizado em 2010 para os cargos que estavam abertos.

Os funcionários afetados pela decisão do gabinete deverão devolver seus salários, acrescidos de juros, o que em média equivale a € 100 mil euros, segundo o Cumhuriyet. Devido ao atual estado de emergência no país, não é possível recorrer dessa decisão.

O Executivo do partido islamita AKP acusa Gulen, que vive exilado nos Estados Unidos desde 1999, de estar por trás do fracassado golpe de Estado que causou a morte de 283 pessoas e deixou milhares de feridos.

Desde então, o governo de Recep Tayyip Erdogan vem promovendo um verdadeiro expurgo dos sistemas judicial, militar, administrativo e educativo em busca de supostos seguidores de Gulen.

Decreto. Mais cedo, um decreto publicado no Diário Oficial informava que o governo decidiu criar uma nova diretriz para libertar condicionalmente 38 mil presos, que abririam espaço nas saturadas prisões do país para os mais de 20 mil detidos acusados de envolvimento na tentativa de golpe de Estado. 

O decreto modifica duas provisões na lei penal para permitir a saída em liberdade condicional de vários presos, explicou o ministro da Justiça, Bekir Bozda, em uma série de 19 mensagens de Twitter.

Antes, todo preso que tinha apenas um ano de pena restante a cumprir podia se beneficiar da liberdade condicional, agora, essa medida se estende aos dois últimos anos da sentença. A liberdade antecipada, dada a quem havia cumprido dois terços de sua pena, agora se aplica a quem cumpriu a metade. / EFE

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